Polícia indicia duas enfermeiras e uma técnica de enfermagem no caso dos bebês trocados em GO

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

Em Goiânia

Atualizada às 16h26

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que investigou a troca de dois bebês no hospital Santa Lúcia, em Goiânia, em março de 2009. Duas enfermeiras e uma técnica de enfermagem que trabalhavam no hospital no dia em que os meninos nasceram foram indiciadas pelo crime de substituição de recém-nascido, que prevê pena de dois a seis anos de prisão.

Bebês trocados voltam para as mães biológicas em Goiânia

A titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi, atribuiu o crime a uma série de omissões por parte das funcionárias. "Se uma delas tivesse cumprido sua função devidamente, o crime não teria ocorrido. Como as três foram absolutamente irresponsáveis, o resultado (a troca de bebês) aconteceu", esclarece.

Adriana explica que logo que o primeiro bebê nasceu, às 4h35 do dia 25 de março de 2009, a enfermeira Almelinda Lopes Amorim, 45, deveria ter preenchido uma ficha de identificação em que constariam as digitais da mãe e dos pés do recém-nascido, o que não foi feito. Segundo a delegada, a funcionária também não colocou a pulseira com o nome da mãe no tornozelo do bebê.

Cinco minutos depois, o menino foi levado ao berçário, onde imediatamente deveria ter recebido o primeiro banho pela enfermeira Marla Luciana Alves de Lima, 31. A polícia apurou que ela não fez isso. "A enfermeira nem mesmo vestiu a criança com a roupa determinada pela mãe, que é um procedimento que as maternidades adotam justamente para evitar erros", afirma a delegada.

O outro bebê só nasceu às 5h50, mas também não recebeu os cuidados necessários por parte das profissionais de plantão. No momento em que a técnica de enfermagem, Rosemar Correia da Silva, 51, assumiu o berçário, já ao amanhecer, as duas crianças já estavam lá. Segundo a polícia, mesmo percebendo que elas não estavam identificadas e com as fichas em branco, a funcionária não tomou nenhuma providência. "Ela preencheu as fichas aleatoriamente e entregou as crianças às mães", conclui Adriana Accorsi.

As três funcionárias já tinham sido demitidas no ano passado. A demissão, segundo o advogado do hospital, Constantino Kaial Filho, não teve relação com o caso, que só veio à tona em março deste ano. Rosemar foi indiciada pelo mesmo crime em 2008, quando foi apontada pela polícia como responsável pela troca de outros dois bebês, no mesmo hospital. O erro foi corrigido 21 dias depois do nascimento.

Indenização
Segundo Constantino, pode ser feito um acordo com as famílias para que o pedido de indenização não seja cobrado na Justiça. Ele não fala em valores, mas disse que vai conversar com os advogados das duas mães e levar a proposta das famílias à direção do hospital.

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