Polícia investiga se jovem submetida a cesárea sem bebê no Pará mentiu sobre aborto ou teve gravidez psicológica

Sandra Rocha
Especial para o UOL Notícias

Em Belém

A polícia ainda investiga o caso da jovem Lana Carla da Silva Pimenta, que há quinze dias foi submetida a uma cirurgia cesariana, mas saiu da Maternidade Santa Bárbara, em Belém (PA), sem um bebê. Para os investigadores, só os laudos periciais sobre a confirmação ou não da gravidez podem dar um rumo às investigações que apuram se ocorreu negligência médica, gravidez psicológica ou até a possibilidade de a jovem ter abortado, mas levado a mentira de uma gravidez inexistente até as últimas consequências.

Sustentando uma barriga de gravidez e de posse de exames laboratoriais, Lana Pimenta passou por três estabelecimentos de saúde de Belém, mas só momentos antes do parto foi informada que não havia um bebê no útero dela. Com laudos e prontuários clínicos em mãos, a jovem registrou ocorrência policial.

A paciente fez acompanhamento pré-natal na Unidade de Saúde da Marambaia, posto municipal de bairro da periferia da capital paraense. Ela Procurou o Hospital Santa Casa de Misericórdia, referência em gestação de risco, para realizar a cirurgia cesariana, mas foi transferida para a maternidade Santa Bárbara.

Na maternidade, o obstetra José Negrão iniciou os procedimentos cirúrgicos, mas, minutos depois, informou à família da paciente que a gravidez era psicológica. Em depoimento à polícia, o médico disse que nem sequer abriu o útero de Lana porque percebeu que não havia criança alguma.

Em nota, a diretoria da Santa Casa de Misericórdia não detalhou o que se passou no dia 19 de abril, quando foi realizado o atendimento. Informou, apenas, que abriu procedimento “para avaliar o atendimento médico dado a paciente no setor de urgência obstétrica da Santa Casa no dia 19 de abril, antes da mesma ser encaminhada à maternidade Santa Bárbara”.

Horas antes da ida à Santa Casa, a jovem foi submetida à avaliação psiquiátrica no Instituto de Perícias Científicas (IPC). Há uma semana, o órgão coletou material da paciente para exames que poderiam comprovar ou não a gravidez.

“Os laudos vão dizer se ela estava grávida ou não, se abortou ou não”, afirmou o delegado Ivan Pinto. Segundo o delegado, cinco pessoas já prestaram depoimentos, entre familiares e o obstetra José Negrão. Ainda serão ouvidos o médico da Santa Casa Raimundo Góes, que não compareceu ao primeiro chamado, além de um enfermeiro e de um ex-diretor da unidade de saúde.

Investigações e falsa gravidez

O delegado Ivan Pinto afirma que as informações colhidas até agora são insuficientes para explicar exatamente o que aconteceu. Já o diretor da polícia, delegado Paulo Tamer, afirma que a falsa gravidez já está provada por dois exames de ultrassonografia e Beta HCG (sangue) realizados em clínicas particulares. Tamer afirma que falta comprovar ainda se os profissionais de saúde foram negligentes ao não identificar o problema com antecedência. “Ainda tem muitas coisas a esclarecer”, disse Tamer.

A família de Lana contratou advogado para acompanhar o inquérito e preferiu não falar mais sobre o assunto. Já a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), responsável pela unidade de saúde, informou que criou uma comissão técnica para analisar os procedimentos internos adotados no caso.

Segundo a assessoria da Sesma, Lana se matriculou no programa Gestar de pré-natal no dia 15 de dezembro do ano passado. A primeira consulta foi no dia 18 de janeiro de 2010, mas ela já chegou com uma ultrassonografia e outros resultados de exames prontos.

Ainda de acordo com a Sesma, a paciente esteve outras duas vezes na unidade, mas não levou as ultrassonografias novas solicitadas. Depois disso, “a paciente só retornou à Unidade no dia 05 de abril para fazer exame de rotina, que seria medição de barriga e verificação de P.A, exames realizados por uma enfermeira”, informou.

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