Tuma Júnior diz que desconhece investigação da PF que o liga à máfia chinesa

Camila Campanerut

Do UOL Notícias
Em Brasília

Tarso Genro diz que Tuma Jr. prestou esclarecimentos sobre o caso

Atualizada às 19h32

Em entrevista coletiva em Brasília, o secretário nacional de Justiça e ex-deputado estadual, Romeu Tuma Júnior, não rebateu as denúncias de que ele estaria envolvido com a máfia chinesa em São Paulo. Segundo reportagem publicada no jornal "O Estado de S. Paulo" nesta quarta-feira (5), gravações telefônicas e e-mails ligam Tuma Júnior a um dos chefes da máfia, Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li.

“Não tive acesso nenhum a essa investigação. Não conheço o conteúdo dela. Portanto, é impossível eu falar sobre essa investigação. Fica o compromisso moral meu de atender a qualquer um de vocês tão logo eu tenho acesso aos autos”, limitou-se a dizer o secretário, que concedeu a entrevista com cerca de 3h30 de atraso.

Nesta quarta-feira, entretanto, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro disse que sabia e avisou Tuma Jr. da investigação. "Fui informado a respeito da investigação desde o início. Na oportunidade, aconselhei que o secretário prestasse depoimento, como acabou ocorrendo", disse Tarso.  

Segundo a reportagem, o contato entre Tuma Júnior, que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, e Paulo Li resultaria na facilitação de contrabando de produtos chineses para o Brasil e de vistos para imigrantes chineses que estavam em estado ilegal no país.

A investigação da Polícia Federal sobre contrabando --batizada de Operação Wei Jin--, iniciada em setembro de 2009, resultou na prisão de Li e de mais 13 pessoas acusadas de formação de quadrilha e descaminho. A quadrilha movimentava cerca de R$ 1,2 milhões por mês com a pirataria em São Paulo e Nordeste.

Conforme a matéria do diário paulista, a polícia teria identificado por meio das ligações telefônicas e e-mails entre Li e Tuma, que o secretário pedia produtos, como celulares, videogames e computadores para o negociador chinês.

Ainda de acordo com a reportagem, durante a busca realizada na casa do chinês foram encontrados cartões de visita com o brasão da República brasileira, nos quais Li se apresentava como assessor especial da Secretaria Nacional de Justiça.

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