No Congresso, mães de Luziânia pedem PF no caso e fim de progressão da pena na lei de crimes hediondos

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

Mães das vítimas dos jovens assassinados em série em Luziânia (GO) pediram à Polícia Federal para continuar as investigações sobre as mortes dos filhos na manhã desta quinta-feira (6) no Congresso Nacional. As mães pretendem contar com o apoio do Parlamento para brigar pela modificação na legislação que permite que pessoas que cometeram crimes hediondos possam ser beneficiadas pela progressão de pena.

Pedreiro suspeito de mortes em Luziânia cometeu suicídio, afirma corregedor da polícia

Cinco das seis mães dos adolescentes assassinados participam hoje da audiência pública em homenagem ao dia das mães, solicitada pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e José Nery (PSOL-PA), integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

A proposta dos parlamentares é oferecer apoio e solidariedade às mulheres que perderam seus filhos, supostamente assassinados pelo pedreiro Adimar Jesus da Silva, que confessou os crimes e teria se enforcado na prisão. Todas as mães dizem não acreditar na versão da polícia de que o pedreiro tenha se suicidado na cadeia.

“No momento, o que a gente está pensando é em lutar para que essas leis sejam mudadas, pra que haja uma reforma nas leis, que estes crimes hediondos não tenham progressão de pena, que indivíduos como aquele não têm como viver em sociedade, o Estado tem que cuidar deles”, defende Valdirene Fernandes Cunha, mãe de Flavio Augusto, 14 anos.

Valdirene se refere ao fato de que o preso Adimar Jesus da Silva, preso por atentado violento ao pudor em 2005, ter sido condenado a 15 anos de prisão, mas foi solto depois de cumprir apenas quatro anos -- beneficiado pela progressão de pena. Uma semana depois de ganhar a liberdade, em 2009, ele assassinou e violentou sexualmente os seis jovens na cidade goiana.

Silva foi diagnosticado como psicopata, e a decisão de permitir a saída dele da prisão pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território (TJDFT), Luis Carlos de Miranda, trouxe uma série de críticas contra a lei e levantou o debate sobre o tema no CNJ, o Conselho Nacional de Justiça.

"Ainda não consegui fazer o enterro"

“O pedido de desculpas e homenagens nessa hora não adiantam. Eu sofri três meses até descobri que meu filho desaparecido tinha morrido. E faz um mês que a perícia está com o corpo dele e ainda não consegui fazer o enterro”, disse Cirlene Gomes de Jesus, mãe de George Rabelo dos Santos de 17 anos.

Ainda não é consenso entre as mães se elas entrarão com pedido de indenização ao Estado pelo "erro" de ter permitido a liberdade do pedreiro.

Assim como Cirlene, Sonia Lima, mãe de Paulo Vitor, de 16 anos, acredita que Adimar Jesus da Silva não agiu sozinho nos assassinatos dos garotos. Por isso, pedem que a Polícia Federal continue com a investigação e, neste quesito, também terão um apoio do senador Cristovam Buarque.

O pedetista vai entrar com um pedido para que o processo de identificação dos seis corpos encontrados seja feito de forma mais rápida e que sejam acionadas, se preciso, laboratórios particulares para entregar o quanto antes os resultados dos exames que estão sendo feitos no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, ainda não há previsão de quando sairão os resultados de DNA dos corpos encontrados e a consequente liberação dos corpos para que as famílias das vítimas possam realizar o enterro de seus filhos.

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