Um mês após tragédia, sobrevivente das chuvas no RJ reclama da demora de auxílio aluguel

Daniel Milazzo
Do UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Um mês depois das fortes chuvas que fizeram 256 mortos e mais de 74 mil desabrigados e desalojados no Estado do Rio de Janeiro, muitas vítimas ainda reclamam por não terem recebido qualquer ajuda do governo. No morro dos Prazeres, em Santa Teresa, zona sul da capital fluminense, onde os deslizamentos fizeram 31 mortos, diversas famílias ainda não receberam o prometido aluguel social.

Elisa Brandão, presidente da associação de moradores do morro, reclama da falta de informação. Sua casa está em área de risco, ela está alojada na casa de amigos e não sabe quando receberá os R$ 400 mensais do auxílio.

Segundo a presidente da associação, 32 famílias da comunidade foram cadastradas para receber o aluguel social, mas apenas quatro foram beneficiadas. Ainda assim, Brandão conta que essas famílias continuam morando na casa de parentes ou amigos, pois o valor concedido não é suficiente.

“Alguns já receberam o aluguel social, só que não conseguiram alugar nada. Com R$ 400 você vai morar aonde? Em outra área de risco!”, critica. Brandão conta que os preços de aluguel subiram muito desde as chuvas. De acordo com ela, casas que antes custavam entre R$ 200 e R$ 250 mensais hoje não saem por menos de R$ 400.

No mês de abril, o prefeito da cidade, Eduardo Paes (PMDB), anunciou a remoção da comunidade do morro dos Prazeres, argumentando que a área está em risco iminente. A presidente da associação, no entanto, contesta e denuncia a falta de vistoria da real condição das casas.

“Não sou contra a remoção, desde que me provem que ela está em área de risco iminente. É cruel. É a remoção da pobreza, não a remoção das áreas de risco”, protesta.

Outras sete comunidades também terão de ser removidas: morro do Urubu (Pilares), Fogueteiro (Santa Teresa), São João Batista (Botafogo), Laboriaux (alto da Rocinha), Cantinho do Céu e Pantanal (Rio Comprido) e parque Columbia (Acari).

Cerca de 250 moradores do morro do Urubu têm novo endereço certo –o condomínio Vivendas do Ipê Amarelo, em Realengo, apelidado de “Urubulengo”.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação do Rio, 1.200 famílias atingidas pelas chuvas já estão recebendo o aluguel social. Há uma estimativa de que as populações das oito áreas de risco somadas representem 4.000 famílias.

O prefeito Paes anunciou no dia 20 de abril a construção do condomínio residencial Bairro Carioca, em Triagem, onde serão criados 3.400 novos apartamentos. O custo previsto é de R$ 200 milhões –R$ 150 milhões pagos pelo governo federal e R$ 50 milhões pela prefeitura. A obra deve durar 15 meses e abrigar 13 mil pessoas. As novas residências serão incluídas no programa “Minha Casa Minha Vida” do governo federal e os novos moradores terão custo zero, segundo a prefeitura.

Outra promessa é a construção, em parceira com o governo do Estado, de um condomínio com 2.500 unidades habitacionais na região do antigo complexo penitenciário Frei Caneca, demolido em março deste ano. Em meados de abril, o governador Sérgio Cabral (PMDB) prometeu investir R$ 1 bilhão em habitação no Rio de Janeiro, mas não especificou que parcela deste total seria convertida na construção de novas casas para as vítimas.

Niterói
Em Niterói, 2.260 das 3.152 famílias já cadastradas compareceram entre terça (4) e quinta-feira (6) à quadra da escola de samba Unidos do Viradouro para receber os R$ 400 do aluguel social.

Nesta sexta-feira (7), casos pendentes foram analisados. Segundo a prefeitura, as pessoas que se apresentaram hoje tendo em mãos um laudo da Defesa Civil –documento indicando a necessidade de interdição ou demolição da casa– receberão, provavelmente na semana que vem, o aluguel social. O mesmo vale para as famílias que estavam cadastradas e até então não haviam se apresentado.

Alguns moradores do morro do Bumba –onde 46 pessoas morreram e cerca de 50 casas foram soterradas– já se mudaram para o condomínio Várzea das Moças. Ao todo, são 93 apartamentos, que passaram a fazer parte do programa Minha Casa Minha Vida.

A Prefeitura de Niterói anunciou essa semana a desapropriação de uma área de 5.000 metros quadrados para a construção de nove prédios residenciais, totalizando 180 apartamentos. Nesta sexta-feira (7), os desabrigados que estavam em treze escolas municipais foram transferidos para o 3º Batalhão de Infantaria do Exército. Ainda há desabrigados em 12 escolas estaduais e outros 25 abrigos menores.

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