Cadastro Nacional de Adoção já tem 27 mil famílias e 5 mil crianças inscritas

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil
Em Brasília

O Cadastro Nacional de Adoção, que em abril completou um ano, já possui 27 mil famílias inscritas e quase 5 mil crianças e adolescentes aptos para serem adotados. Nesse período, 122 crianças foram acolhidas por uma nova família por meio do instrumento que foi criado para auxiliar juízes e varas de infância e da juventude a agilizar esse processo com a unificação das informações.

Na avaliação do juiz Francisco de Oliveira Neto, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), os resultados são positivos. “Acho que ele está correspondendo à expectativa inicial. Tínhamos previsto que iam ocorrer algumas dificuldades, principalmente de estrutura pelas diferenças que existem nos estados das redes de informática”, avalia o juiz, que participou da equipe que criou o cadastro.

São Paulo é o estado com mais famílias interessadas em adotar uma criança: 7.369, seguido por Rio Grande do Sul, com 4.295 pretendentes e Paraná, com 3.768. Das 4.809 crianças e adolescentes aptas para esse processo, 1.436 estão em abrigos paulistas.

Restrições rigorosas
Das 27 mil família inscritas no Cadastro Nacional de Adoção, 56% querem adotar crianças de até 3 anos de idade e quase 40% aceitam apenas crianças da cor branca. As restrições de raça, idade e condições saúde são as principais razões para que ainda seja longo o tempo de espera na fila de pais e mães que optaram pela adoção. A maioria dos menores que vivem em abrigos tem perfil diferente daquele que é procurado pelos pretendentes.

“O que o sistema de Justiça disponibiliza hoje são crianças maiores, que estão muitas vezes vinculadas a um grupo de irmãos. Essas características muitas vezes não despertam o desejo de acolhimento pela família interessada na adoção”, explica o chefe de adoção da Vara de Infância e Juventude do Distrito Federal (DF), Walter Gomes.

Segundo ele, hoje, no DF, quem quer adotar uma criança de até 2 anos deverá aguardar na fila por cerca de cinco anos. “Mas quem se habilita a acolher uma criança de 8 anos consegue isso em dois meses. O grande impedimento para que a adoção ocorra de forma mais rápida é uma rigorosa restrição imposta pelo interessado”, defende.

A advogada Fabiane Gadelha esperava há dois anos na fila da adoção por uma criança que tivesse até 3 anos de idade. Apesar de já ter uma filha biológica, adotar era um deseja antigo dela e do marido. Depois de conhecer um grupo de apoio ao acolhimento de crianças com deficiência, resolveu flexibilizar sua busca. E em dois meses já era mãe de Miguel, de 9 meses, portador da síndrome de down.

“Foi paixão à primeira vista. O Miguel devolveu para mim essa fé de que as coisas da vida acontecem no tempo certo e na hora certa”, conta. Miguel vive com a família desde setembro do ano passado e mudou a logística e a organização da casa. “Ao mesmo tempo ele ampliou meus horizontes, me surpreende todos os dias. Ele vai propiciar para a minha filha uma excelente oportunidade de ser uma pessoa melhor”, acredita.

Hoje Fabiane trabalha em grupos de apoio a adoção de crianças com deficiência e espera que outras famílias possam seguir seu exemplo. “De repente esse pai ou mãe que está na fila pode encontrar seu filho atrás de uma deficiência. Eu recomendo que abram seu perfil, se permitam conhecer porque o que tiver que ser seu será. A lei lhe dá essa possibilidade de tentar”, aconselha.

Seleção
As famílias interessadas em adotar uma criança precisam passar por uma série de etapas até concluírem o processo. Antes mesmo de se inscreverem no Cadastro Nacional de Adoção são avaliadas por psicólogos e assistentes sociais.

“Vamos verificar se existe equilíbrio emocional, afetividade, se é um ambiente em que impera a tolerância e o acolhimento, se todos os membros estão sintonizados com esse desejo da adoção”, explica o chefe de adoção da 1ª Vara de Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes.

Recentemente, uma procuradora do Rio de Janeiro foi acusada de maltratar uma criança que estava sendo adotada por ela. Para o juiz Francisco de Oliveira Neto, da Associação dos Magistrados Brasileiros, é preciso trabalhar para reduzir casos como este. “Infelizmente essas situações às vezes acontece porque algumas coisas não aparecem no estudo social, não trabalhamos com dados matemáticos. Um estudo social bem feito é fundamental para evitar esses casos”.

Além da organização da família, Gomes aponta que a equipe responsável pelo estudo também investiga quais são os motivos verdadeiros para a adoção. “A adoção tem que estar fundamentada por legítimas razões. Por meio dessas entrevistas filtramos o que está por trás desse desejo”.

Depois de receber o parecer positivo desta equipe é que o candidato é autorizado pelo juiz a se inscrever no cadastro. Ele precisa fazer um curso de pré-adoção e depois que encontra a criança é mais uma vez avaliado por psicólogos e assistentes sociais.

“São vários filtros e olhares que servem justamente para garantir a qualidade dessas famílias. A adoção é uma medida irrevogável. Não é um exercício recreativo, filantropia ou test drive. É para quem de fato deseja exercer as funções paternas ou maternas em relação a uma criança”, explica Gomes.

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