Encontrado corpo de sétima vítima do assassino em série de Luziânia (GO)

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

em Goiânia

A Polícia Civil de Goiás acredita que Adimar Jesus da Silva, o pedreiro que havia confessado ter matado seis jovens em Luziânia (GO), fez uma sétima vítima. Na tarde desta terça-feira (11), os bombeiros encontraram mais um corpo na fazenda Buracão, às margens da BR-040, a cerca de 30 metros de onde as outras vítimas tinham sido enterradas.

De acordo com o delegado Juracy José Pereira, responsável pelo inquérito, a ossada encontrada hoje foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia. A suspeita é de que o corpo seja de Diego Alves Rodrigues, 13, o primeiro a desaparecer, no fim de dezembro do ano passado.

Até a manhã de hoje acreditava-se que Diego estava entre as vítimas cujos corpos já tinham sido encontrados. Mas os resultados dos exames de DNA feitos pela Polícia Federal e divulgados hoje revelaram que o corpo, que seria de Diego, é na verdade de Erick dos Santos, 15, o último a desaparecer, em março passado. O nome de Erik não estava incluído na lista inicial de vítimas. Os demais jovens já foram identificados.

Segundo a polícia, será feita uma perícia para saber se os restos mortais encontrados hoje são de Diego. Não há previsão para a conclusão do exame.

Buscas
As novas buscas na fazenda onde Adimar enterrou as vítimas foram motivadas pela suspeita da família de Erick, que disse ter encontrado uma bermuda parecida com a do adolescente na casa do pedreiro. “Desde o primeiro interrogatório, Adimar indicou uma bermuda como sendo de uma das vítimas, mas a família dos outros seis jovens não a reconheceram”, explica Pereira.

Segundo o delegado Josuemar Vaz de Oliveira, que acompanha as investigações, o IML de Luziânia autorizou a liberação dos corpos dos seis jovens já identificados. Desde o início as famílias manifestaram a intenção de realizar um velório coletivo, o que deve ser feito ainda essa semana.

Segundo Oliveira, a investigação continua mesmo com a morte do assassino confesso, que teria se enforcado numa cela da Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc), em Goiânia. “Queremos saber, por exemplo, se houve participação de outras pessoas”, afirma o delegado.

Assassinatos em série
Adimar foi preso no dia 10 de abril, na casa onde morava, em Luziânia. Ele confessou ter matado todos os jovens (até então eram seis) com idades entre 13 e 19 anos, que começaram a desaparecer em dezembro do ano passado. Todos viviam no setor Estrela Dalva, um bairro pobre da cidade do entorno de Brasília.

A descoberta do autor dos assassinatos rendeu críticas ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Adimar, que estava preso por crime de violência sexual, foi beneficiado com a progressão de pena – do regime fechado para o regime domiciliar – uma semana antes de fazer a primeira vítima. Laudos psiquiátricos indicavam que o pedreiro necessitava de acompanhamento, o que não foi providenciado.

Em entrevistas à imprensa e nos depoimentos à polícia, Adimar sempre apresentava versões contraditórias e confusas sobre a motivação dos crimes. A Polícia Civil de Goiás concluiu que o acusado atraía adolescentes e jovens oferecendo dinheiro em troca de sexo. Após o abuso, ele matava a vítima a pauladas.

No dia 18 de abril – uma semana após ser transferido para Goiânia – Adimar foi encontrado morto na cela onde estava. Segundo a polícia, o pedreiro trançou uma espécie de corda, usando tiras do tecido que revestia seu colchão. Ele teria se enforcado amarrando o instrumento na grade de ventilação. Adimar estava isolado e, de acordo com presos da cela ao lado, ele ligou o chuveiro para abafar qualquer ruído durante o suicídio.

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