Para delegado, uso de drogas deve estar por trás de chacina na zona norte de SP

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Arthur Guimarães/UOL

    Chacina matou os moradores de rua que moravam sob este viaduto na rodovia Fernão Dias

    Chacina matou os moradores de rua que moravam sob este viaduto na rodovia Fernão Dias

O delegado titular do 73º DP (Jaçanã), Pietrantonio Minichillo, afirmou na tarde desta terça-feira (11) que o consumo de drogas deve estar por trás da chacina de seis pessoas sob um viaduto na altura do km 86 da rodovia Fernão Dias, na zona norte de São Paulo, na madrugada de hoje.

Como explicou o delegado, no local do crime foram encontrados vários apetrechos para o uso de crack. As vítimas, que teriam se conhecido na região pelo uso de entorpecentes, vivam sob o viaduto. Além dos seis mortos --todos homens-- há uma mulher que foi baleada na cabeça e está internada em estado grave no hospital do Mandaqui.

Pelas informações registradas no boletim de ocorrência, feito com base em relatos de testemunhas, por volta de 0h30 de hoje, duas motos se aproximaram do grupo, ambas com homens em sua garupa. Foram feitos vários disparos e, segundo as testemunhas, os dois veículos fugiram depois em alta velocidade.

“Temos algumas linhas de investigação. Uma delas aponta para o uso de drogas. Talvez algum traficante possa ter tomado alguma atitude extrema. Ainda há a hipótese do preconceito, de que alguém tenha passado pelo local e fez aquilo por não gostar de mendigos”, afirmou o delegado, que não descarta a participação de grupos de extermínio ou mesmo de policiais disfarçados.

Permaneciam no local do crime, na tarde desta terça-feira, apenas objetos revirados que mostram como as pessoas viviam sob o viaduto. Em meio à manchas de sangue, era possível ver restos de roupas, garrafas de bebidas alcoolicas quebradas, sofás rasgados, livros picotados e muitos trapos sujos. Nenhum morador de rua foi visto no local após o crime.

Para Pietrantonio, dificilmente tal tipo de execução tenha sido organizada como vingança a roubos que poderiam ter sido cometidos pelas vítimas recentemente, hipótese levantada por alguns vizinhos do local. A chacina está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios Múltiplos do DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Aos prantos pelos corredores do 72º DP, Suely Aparecida de Jesus Costa, dizia acabado de reconhecer o filho nas fotos do boletim de ocorrência. "Me falaram para eu ir até o IML (Instituto Médico Legal), mas tenho certeza que é ele", diz, referindo-se, possivelmente, a Leandro Jesus de Oliveira, 27.

"Tinha um nariz 'empinadinho' dele. Estava dormindo de lado, como costuma fazer", afirmou ela, emocionada. Ele disse que o filho é ex-presidiário. "Ele estava preso no interior por furto, mas saiu no indulto da Páscoa e veio morar embaixo do viaduto e usar droga, apesar de eu ser da zona sul".

Vizinhança
Apesar de isolado por vias com fluxo de intenso de veículos, o ponto da chacina faz vizinhança com algumas casas. Nessas residências, o consenso é de que o grupo de viciados gerava problemas e era responsável por pequenos furtos.  A moradora M.A., 38, reside a menos de 30 m do ponto dos crimes. Segundo ela, os tiros foram disparados de uma vez, em um curto espaço de tempo. "Fiquei com muito medo, mas não sei de casa pois estava com meus três filhos pequenos".

De acordo com ela, são frequentes os pequenos roubos e furtos aos pedestres que passam perto do viaduto onde ocorreram os assassinatos. "Meu filho quase foi assaltado outro dia. Quando você passa aí a noite, eles vem pedir dinheiro e todo mundo fica com medo. Ninguém sabe se é assalto ou não", diz M.A.

O pedreiro Ademir Afonso, 59, mora na rua Igarité, viela bem próxima da ocorrência desta madrugada. Ele também reclama da postura agressiva dos viciados e conta que recentemente também foi vítima de uma tentativa de furto. "Outro dia peguei um moleque dentro do meu quintal, depois de ter arrombado o cadeado do portão. Sorte que a bicicleta estava presa e ele não conseguiu levá-la. Saiu correndo", afirma.

Já a dona-de-casa R.R., 50, vive na mesma rua que Afonso e, há um mês, ela ouviu um integrante do grupo que foi vítima do atentado em cima do seu telhado. "Quando eu fui ver, só tinha um braço magrinho com uma faca tentando abrir a porta. Comecei a gritar e ele correu", diz.

Do lado oposto da Fernão Dias, há um conjunto habitacional do projeto Cingapura, local em que as vítimas compravam crack, segundo alguns moradores. "Moro aqui e pura bandidagem. Sempre ouvimos falar de PCC (Primeiro Comando da Capital) e, mesmo quem vive aqui, fica com medo de passar a pé porque está todo mundo envolvido com drogas", afirmou um pedestre que não quis se identificar.

Só nessa semana aconteceram duas chacinas na Grande São Paulo. Ontem (10), em São Bernardo do Campo, seis pessoas também foram assassinadas.

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