Especialistas dissociam redução de criminalidade no Rio com ocupações em favelas

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Ainda é prematuro atrelar os dados de redução da criminalidade no Estado do Rio de Janeiro – divulgados hoje em levantamento realizado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – à atuação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) da Polícia Militar. A análise foi feita por especialistas ouvidos pelo UOL Notícias nesta segunda-feira (12)

Rio registra menor índice de homicídios dolosos da história

O ISP (Instituto de Segurança Pública) divulgou na manhã desta quarta-feira, em novo balanço do crime no Estado, que o índice de homicídios dolosos --quando há intenção de matar-- caiu 16,2% (menos 95 vítimas) em março deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Dados do instituto revelam ainda que a redução do mesmo delito no primeiro trimestre é a melhor da série histórica do Rio desde 1991.

O relatório do ISP compara os meses de março de 2009 e 2010 e indica queda em quatro indicadores estratégicos: os homicídios dolosos caíram 16,2% (menos 95 vítimas); houve redução de 46% nos casos de latrocínio (roubo seguido de morte), totalizando 16 no mês; os roubos de veículo diminuíram 20,4%; e o total de roubos de rua registrados caiu 10,4% (870 ocorrências a menos).

"Claro que Rio não é uma cidade segura, mas é uma cidade que está mais segura do que já foi. Os dados falam por si", afirma Rosiska Oliveira, presidente da ONG Rio Como Vamos.

No que diz respeito aos homicídios dolosos, o primeiro semestre de 2010 é o melhor da série histórica do levantamento – realizado desde 1991. Foram registrados 1.414 casos. Em 2009, por exemplo, houve 1.695 registros.

José Augusto Rodrigues, sociólogo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), acha difícil correlacionar os dados do ISP com a ação das UPPs. No entanto, ele argumenta que as unidades pacificadoras podem mudar o panorama da criminalidade.

"As UPPs têm esse aspecto prático de coibir o tráfico armado dentro das comunidades, mas elas também têm um aspecto simbólico importante. A polícia militar do Rio tem uma imagem muita negativa junto à população. As UPPs representam a criação de uma expectativa renovadora da polícia", explica.

Atualmente o município do Rio de Janeiro conta com UPPs já instaladas em Santa Marta, Babilônia, Chapéu Mangueira, Batam, Cidade de Deus, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Tabajaras e Cabritos e, a mais recente, Providência. Outras oito estão previstas até o final do ano. A próxima será a do Borel, que abrange sete comunidades diferentes e contará com um efetivo de cerca de 500 policiais militares, o maior das unidades.

"Desejo fortemente que [as UPPs] se torne uma política de Estado, e não uma política de governo. Creio que até agora tem dado excelentes resultados", opina Rosiska Oliveira.

A ativista social ressalva que a questão da criminalidade extrapola a esfera meramente policial e governamental, isto é, a população deve exercer papel fundamental nesse combate. “Eu sempre acho que a população contribui na medida em que ela mesma não comete nenhum ilícito. Quer dizer, há uma tendência a aceitar o pequeno ilícito. Eu acho que isso colabora para a desordem, colabora para a convivência com o ilícito, e isso muito facilmente degenera para situações de crime e para situações de insegurança”, argumenta.

O sociólogo da Uerj acrescenta que o combate à criminalidade deve se sustentar num “tripé básico” formado pela inclusão cultural, política social e vigilância e repressão policial.

Menos apreensões e mais prisões

Comparando o primeiro trimestre de 2010 com o mesmo período do ano passado, a partir de dados do relatório do ISP constata-se a redução de 29,4% nas apreensões de drogas (836 casos a menos) e diminuição de 23% no total de armas apreendidas. Se a comparação for feita apenas com números dos meses de março de cada ano, também se registra diminuição: 33,5% menos apreensões de drogas e redução de 32,5% na quantidade de armas apreendidas.

Também houve queda no total de veículos recuperados. Entre janeiro e março deste ano foram 4.401 recuperações, 1.104 a menos do que o primeiro trimestre do ano passado – uma redução de 20%.

Por outro lado, no mesmo período registrou-se um aumento de 9,5% no número de prisões efetuadas – no primeiro trimestre, 4.659 pessoas foram para a cadeia.

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