Servidores do Judiciário de SP culpam governo e magistrados por paralisação

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Os funcionários grevistas do Poder Judiciário em São Paulo apontam os altos salários dos juízes e a interferência do governador Alberto Goldman (PSDB) como principais motivos para manterem a paralisação que já chegou a um terço da categoria. Desde 27 de abril, eles reivindicam reajuste salarial de 20,16%, mas a contraproposta do Tribunal de Justiça paulista não chegou a um quarto disso.

Na terça-feira, grevistas e representantes do Poder Judiciário tentaram uma conciliação, mas a conversa foi “infrutífera”, de acordo com o Tribunal de Justiça. Paralelamente, na Assembleia Legislativa paulista, um plano de carreira para a categoria, negociado entre funcionários e lideranças políticas, foi removido da pauta de votações, acirrando o clima também com o Palácio dos Bandeirantes.

O confronto tende a crescer nesta quarta-feira (12), dia em que os servidores esperam 10 mil pessoas em um ato em São Paulo para ratificar a continuidade da paralisação. Agora o protesto será pelo reajuste de mais de 20% e também contra a posição dos deputados estaduais de retirar o projeto, disse ao UOL Notícias o vice-presidente do sindicato da categoria, Carlos Alberto Marcos.

“Fomos desrespeitados pela Assembleia Legislativa e pelo governador, que negou o plano porque não queria aumentar o orçamento do Judiciário. Eles acham que já repassam o bastante, mas o Judiciário não gasta seu orçamento com os funcionários. Eles gastam com juízes que ganham mais de R$ 50 mil”, disse o sindicalista, ligado à União Geral dos Trabalhadores (UGT).

A assessoria de imprensa de Goldman, que assumiu o cargo para José Serra disputar a Presidência da República, afirmou que para o governador “essa informação não existe” e que ele não interferiu para retirar de pauta o projeto que beneficiaria cerca de 42 mil funcionários da ativa e 9 mil aposentados.

A paralisação pode suspender audiências e atrasar libertações de presos e expedição de novos mandados de prisão e de busca e apreensão. O movimento estima em 35% a adesão até o momento. O TJ-SP não tem estimativas sobre a greve.

Acima do teto
“Até ontem, o governador tinha autorizado. Hoje, em razão da nossa decisão de continuar a greve, retirou o projeto. Se é assim, melhor fechar a Assembléia. Ela serve para quê?”, questionou o sindicalista, que atribuiu a um membro do próprio Palácio dos Bandeirantes a informação de que Goldman pediu a retirada do assunto da pauta.

No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) suspendeu o pagamento do chamado “auxílio voto” que elevava os rendimentos de juízes de primeira instância do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em até R$ 80 mil por ano. Esses rendimentos, segundo o órgão, são irregulares porque superam o teto dos pagamentos a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Se eles podem pagar isso a um magistrado, por que não podem reajustar o salário dos servidores que querem repor perdas da inflação acumuladas desde 2005? Não faz sentido beneficiar essa minoria e promover tanta desigualdade no TJ”, diz. O TJ-SP diz não ter verba suficiente para atender as reivindicações dos grevistas e ofereceu melhora de 4,17% nos rendimentos mensais da categoria a partir de julho.
 

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