Vinte municípios de São Paulo concentram mais de 70% dos casos de dengue no Estado

Flávia Albuquerque
Da Agência Brasil

São Paulo

Vinte dos 645 municípios paulistas concentram 72,4% dos casos de dengue confirmados de janeiro ao dia 26 de abril deste ano. Ao todo, o estado registra nesse período 69.148 casos da doença. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, 10.033 são relativos a infecções ocorridas em janeiro, 27.738 em fevereiro, 26.604 em março e 4.773 em abril. A secretaria informou ainda que foram contabilizadas 55 mortes pela doença nesse período.

Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, as cidades com maior número de ocorrências são Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araçatuba, todas no interior do estado. Na região da Baixada Santista, Guarujá e São Vicente lideram em número de casos. A secretaria atribui o aumento de ocorrências da dengue à alta incidência de chuvas ocorrida principalmente nos três primeiros meses do ano e às temperaturas elevadas, propícias à proliferação do mosquito transmissor da doença. Além das cidades já citadas, integram a lista da secretaria os municípios de

Catanduva, Fernandópolis, Guararapes, Ibitinga, Jaboticabal, Jardinópolis, Mirassol, Pontal, Praia Grande, Rincão, Santos, São Paulo, Taquaritinga, Taubaté e Tupã.

Na cidade de São José do Rio Preto, até a semana passada, foram contabilizados 10.258 casos de dengue, com nove mortes das quais quatro por dengue hemorrágica. Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, para tentar conter a doença, a prefeitura colocou nas ruas 400 agentes e faz aplicações diárias de inseticida. Além disso, a secretaria afirma ter criado o Disque-Dengue e enfatizado com os profissionais os protocolos de atendimento aos pacientes.

Em São Vicente, litoral paulista, já são 3.020 casos confirmados, com seis mortes - uma por dengue hemorrágica. O combate, segundo a prefeitura, está sendo feito com 110 agentes nas ruas, com a distribuição do selo verde para as casas onde não são encontrados problemas e a orientação aos médicos para diagnosticar a doença o mais rápido possível. Entretanto a prefeitura enfatiza que muitas pessoas demoram a procurar atendimento e muitas vezes não seguem a recomendação dos médicos, agravando seu quadro de saúde.

A diretora do departamento de Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, Maria Luiza Santa Maria, disse que até ontem (11) foram registrados 16.330 casos da doença, com cinco mortes, duas delas por dengue hemorrágica. “Aqui temos uma grande rotatividade de pessoas que contribui para disseminar a dengue e três sorotipos da doença circulando. Fizemos um grande mutirão na cidade no último dia 28 e recolhemos 19 toneladas de lixo em seis horas de trabalho. A epidemia na cidade era anunciada e dependemos da ajuda da população”, disse.

Em Araçatuba foram registrados neste ano 8.733 casos diagnosticados por critério clínico-epidemiológico e outros 1.510 confirmados por exame laboratorial, de acordo com a Secretaria de Saúde e Higiene Pública (SSHP). A Agência Brasil procurou a Secretaria de Saúde do Guarujá, mas até o momento da publicação desta matéria não recebeu retorno.

O médico infectologista do ambulatório de Medicina do Viajante da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Gustavo Johansom afirmou que o agravamento da doença pode ser evitado com atendimento precoce, acompanhamento médico e orientação do paciente para que ele saiba quais são os sinais de alarme. Na avaliação dele, os profissionais da saúde estão capacitados para diagnosticar e tratar a doença.

“A dengue é uma doença reemergente, na década de 90 a dengue voltou a ser um problema, por isso os médicos estão preparados para atender os casos. Não acredito que hoje em dia haja um médico que não saiba suspeitar pelo menos de um caso de dengue que é uma doença prevalente do nosso país e extremamente comentada”.

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