Procuradora ficará em cela especial, mas "sem tratamento específico", diz delegado

André Naddeo*
Do UOL Notícias

No Rio de Janeiro

  • Domingos Peixoto/ Agência O Globo

    Procuradora aposentada se entregou à Justiça na manhã desta quinta-feira, ela é acusada de torturar menina de 2 anos

    Procuradora aposentada se entregou à Justiça na manhã desta quinta-feira, ela é acusada de torturar menina de 2 anos

Advogado de procuradora acusada de maus-tratos pede revogação da prisão

"O laudo final do IML que está no processo afirma que a lesões foram leves, e não causaram nenhum mal estar maior na criança. Por isso, vou chamar o perito para prestar depoimento em juízo", disse o advogado da procuradora

Uma cela especial no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio de Janeiro, é o destino da procuradora aposentada Vera Lúcia Sant´Anna Gomes, 57, acusada de torturar uma criança de dois anos, que vivia em sua residência sob sua custódia. A procuradora se entregou à Justiça na manhã desta quinta-feira (13). A distinção com outros presos ocorre porque Gomes tem o terceiro grau completo, mas, segundo a polícia, ela não terá regalias.

“Acredito que ela não vai ter nenhum tratamento específico”, afirmou o delegado da Polinter Paulo Freitas. Ao receber voz de prisão e enquanto a denúncia de tortura era lida, Gomes se emocionou e chorou. A procuradora foi levada para a sede da Polinter, no Andaraí, zona norte do Rio, por volta das 14h20 de hoje. No final da tarde, ela passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e será levada, em seguida, para o complexo prisional de Bangu. A procuradora passa ao menos a noite de hoje no local.

Desde cedo o ambiente no fórum do centro da cidade era muito movimentado. A informação de que a procuradora, enfim, se entregaria à Justiça atraiu uma multidão de jornalistas e curiosos. Por volta de 11h30, vestindo um turbante rosa, Gomes chegou de carro ao local causando grande alvoroço.

Procuradora foragida se entrega

Histórico
Vera Lúcia Sant´Anna Gomes é procuradora aposentada e desde 14 de março tinha sob sua custódia uma criança de dois anos. No dia 15 de abril, após denúncia de empregadas que trabalhavam em seu apartamento, uma equipe da Vara de Infância, Juventude e do Idoso estiveram em sua residência.

A menina foi encontrada machucada, com os olhos roxos e inchados, e foi encaminhada para o hospital público Miguel Couto, na zona sul. A criança ficou três dias internada. Posteriormente, gravações revelaram o tom de voz alta e a violência da procuradora, que chamava a criança de “vaquinha” e “cachorra”.

No último dia 5, o juiz da 32ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Guilherme Schilling Duarte, decretou a prisão preventiva de Gomes pelo crime de tortura. Desde então, teve início uma intensa busca pela foragida. Eles estiveram no apartamento da procuradora, em Ipanema, zona sul da cidade, e na sua residência em Búzios, na região dos Lagos, mas não ela foi encontrada.

Por meio de seu advogado, a acusada informou que não se entregaria até que o pedido de habeas corpus fosse julgado e ela pudesse responder ao processo em liberdade. No entanto, no último dia 10, a Justiça do Rio negou o pedido. E de acordo com o Ministério Público, Gomes terá que arcar ainda com as despesas do tratamento psicológico da criança de 2 anos e pagar pensão mensal de 10% dos seus rendimentos até que a vítima complete 18 anos, além de indenização de mil salários mínimos por danos morais. O mérito da ação, da Vara da Infância, Juventude e do Idoso, entretanto, ainda não foi julgado.

Até a procuradora se entregar, o Disque-Denúncia já havia recebido mais de 30 chamadas a respeito do paradeiro da procuradora, principalmente após a divulgação de um cartaz com o retrato da acusada.

*Com informações da Folha Online

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