Sabesp nega erro no controle de barragens da Cantareira

Da Agência Câmara

Em Brasília

O diretor da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato Yoshimoto, negou erro na administração do sistema de comportas que controla o escoamento do excesso de água nas barragens. "O longo período de estiagem entre 1998 e 2003 tornou possível a ocupação de áreas próximas ao leito de rios. Com isso, mesmo sem o transbordamento das barragens, algumas regiões estão sujeitas a inundações", disse Yoshimoto, que participou nesta quinta-feira de audiência pública para debater a abertura tardia das comportas do Sistema de Águas da Cantareira.

Segundo Yoshimoto, seriam necessárias pelo menos duas barragens completamente vazias do porte de Atibainha e Cachoeirinha para conter o volume d'água que provocou inundações nos meses de dezembro e janeiro em cidades do interior paulista como Atibaia, Bragança Paulista, Nazaré Paulista e Vargem. Ele informou que a quantidade de chuva verificada no período atingiu mais de 1.200 mm por metro quadrado, o que equivale ao total previsto para um ano nessas regiões.

Alerta do Inpe
A audiência, que ocorreu na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, foi proposta pelo deputado Sarney Filho (PV-MA). Para o deputado, as inundações poderiam ter sido evitadas ou reduzidas se a Sabesp não tivesse ignorado a recomendação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para a abertura das comportas em outubro de 2009.

"Não há intenção de apontar culpados, mas de analisar a situação para atuarmos preventivamente, evitando acidentes como esse em outras regiões do País", disse Sarney Filho.

O diretor da Sabesp afirmou que o controle das barragens do Sistema de Águas da Cantareira, que concentra as Bacias do Piracicaba e do Alto Tietê, não pode seguir apenas os alertas do Inpe, pois isso poderia comprometer o abastecimento de água e o funcionamento de hidrelétricas na região.

"Entendemos que a informação do Inpe é macro e que é complicado fazer um controle com base em estimativas. Nós simulamos chuvas a partir de ciclos de probabilidade de 25 anos, mas o que ocorreu no começo do ano ultrapassou as estimativas dos últimos 48 anos", argumentou Yoshimoto. Ele disse também que a Sabesp trabalha com um sistema de radares que permite acompanhar os volumes de chuva a cada 24 horas.

De acordo com o chefe de operações do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, José Antonio Aravéquia, o fenômeno do El Niño, que elevou as temperaturas de superfície das águas do oceano Pacífico, foi um dos fatores que contribuiu para precipitações persistentes nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil em todo o ano de 2009. "Estudos já apontavam para chuvas ainda mais intensas na região Cone-Sul do País no verão 2009-2010. E nos meses de novembro, dezembro e janeiro a previsão se confirmou", disse Aravéquia.

O Sistema de Águas da Cantareira é considerado um dos maiores do mundo. Sua área total tem 2.279,5 km² e abrange 12 municípios, sendo quatro deles no estado de Minas Gerais e oito em São Paulo. É composto por cinco bacias hidrográficas e seis reservatórios interligados por túneis artificiais subterrâneos com o mesmo diâmetro de túneis de metrô e que percorrem um distância aproximada de 100km.

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