Índios tentam invadir Câmara e entram em confronto com seguranças

Iolando Lourenço
Da Agência Brasil

Em Brasília

Cerca de 150 índios de 12 etnias tentaram invadir nesta quarta-feira (19) a Câmara dos Deputados e foram impedidos por seguranças e servidores da Polícia Penal. No confronto, alguns índios e seguranças ficaram machucados, tiveram as roupas rasgadas e até óculos quebrados. Eles foram pedir a revogação do Decreto 7.056, que reestrutura a Fundação Nacional do Índio (Funai) e reclamaram que não são ouvidos pelo governo federal em assuntos de seu interesse.

O objetivo dos índios era ir até o plenário da Câmara, mas, após o confronto, eles foram para o plenário da Comissão de Constituição e Justiça, onde apresentaram suas reivindicações a um grupo de deputados. Os índios disseram que suas terras estão sendo invadidas pelo Exército e que não são ouvidos, nem atendidos pelo governo federal no que diz respeito à adoção de políticas de seu interesse. 

Os indígenas informaram que estão acampados desde janeiro em Brasília, mas não conseguem ser recebidos pelo presidente da Funai, Márcio Meira. “Cerca de 500 índios estão acampados em Brasília há quatro meses e não conseguem ser ouvidos pelo presidente da Funai, que está sendo protegido pela Força de Segurança Nacional”, disse o advogado Arão Lopes, da etnia Arariboia.

Em seguida, em companhia de alguns deputados, um grupo de índios foi recebido pelo presidente em exercício da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que é 1º vice-presidente da Casa. Eles pediram a Maia a revogação do decreto que reestrutura a Funai e fecha vários postos da entidade em todo o país, além da exoneração de Márcio Meira.

Os índios reclamaram que não foram ouvidos pelo governo quando da elaboração do decreto e que também que não conseguem conversar sobre outros assuntos de seu interesse. Carlos Pankarone, representante da etnia Pankarone, de Pernambuco, disse que, se não forem resolvidas as três questões, os índios poderão adotar medidas duras, como o corte de transmissão de energia elétrica.

O líder Jocelio Xucuru, também de Pernambuco, que se apresentou a Marco Maia como um guerreiro em busca de soluções rápidas para os problemas, chegou a fazer ameaças: “Se não resolverem nossos problemas, podemos derrubar torres de transmissão elétrica e deixar muitas cidades sem energia, e aí os brancos vão culpar a gente”.

Tramitam na Câmara dois projetos que pedem a revogação do decreto que reestrutura a Funai. De autoria dos deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Mauro Nassif (PSB-RO), as duas propostas estão tramitando nas comissões técnicas da Câmara e só depois serão levadas a votação no plenário. Hauly e Nassif participaram das negociações com os índios que foram à Câmara. 

Marco Maia pediu aos indígenas que conversem com os líderes partidários sobre a possibilidade de rejeição de emenda à Medida Provisória (MP) 472, que está na pauta de votações. Segundo os índios, a emenda, colocada no texto da MP pelo Senado, prejudica as etnias de todo o país, porque tira da Funai pessoas habituadas a defender os temas de interesse da comunidade, ao propor a criação do Conselho Nacional de Políticas Indígenas em substituição à atual Comissão Nacional de Política Indigenista. 

Os índios ameaçaram partir para a briga, caso a emenda seja aprovada.

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