PF prende ex-secretário de Meio Ambiente do MT e mulher do presidente da Assembleia Legislativa

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Em operação contra crimes ambientais realizada nesta sexta-feira (21), a Polícia Federal do Mato Grosso prendeu cerca de 60 pessoas, entre elas o ex-secretário estadual do Meio Ambiente Luis Henrique Daldegan --que se afastou do cargo há cerca de 50 dias-- e Janete Riva, mulher do presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP). As informações são da PF em Cuiabá. Também foram presos o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Ubiratan Spinelli e seu filho, Rodrigo Spinelli.

Os detidos são suspeitos de extrair, transportar e comercializar ilegalmente produtos florestais na Amazônia mato-grossense. A PF tenta ainda prender mais cerca de 30 suspeitos.

A Operação Jurupari, deflagrada hoje, ocorre em diversos municípios de Mato Grosso e nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande Sul e Espírito Santo, com objetivo de reprimir as práticas ilegais na região, principalmente com os produtos provenientes do interior e do entorno de áreas protegidas. Os agentes também cumprem 91 mandados de busca e apreensão.

A pedido da PF, a Justiça Federal em Mato Grosso também decretou o sequestro e indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos, bem como o afastamento preventivo de todos os servidores indiciados. O valor mínimo dos danos ambientais causados pelos investigados, nestes últimos anos, somado, é de aproximadamente R$ 900 milhões.

Segundo a PF, a ação é fruto de cerca de dois anos de investigações. Além de madeireiros e proprietários rurais, entre os suspeitos estão engenheiros florestais e servidores públicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) que eram responsáveis por produzir e aprovar licenciamentos e planos de manejo florestal fraudulentos, necessários para legalização e comércio de madeira. Foram apuradas irregularidades em pelo menos 68 empreendimentos e propriedades rurais.

A corporação identificou os crimes de fraude na concessão de licenciamentos e autorização de desmatamentos; disponibilidade de créditos florestais fictícios, e que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira de áreas não documentadas, especialmente de terras públicas e áreas protegidas; e transporte, processamento e comercialização destes produtos pelas serrarias e madeireiras, as quais recebem o produto "esquentado" com documentação fraudulenta.

Após interrogatório, os presos serão encaminhados ao sistema prisional e responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, furto, grilagem de terras, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informática, além de diversos delitos previstos na Lei de Crimes Ambientais. A prisão dos suspeitos tem caráter preventivo, e não temporário, ou seja, eles só serão libertados se conseguirem habeas corpus na Justiça.

A reportagem do UOL Notícias não conseguiu localizar os advogados dos envolvidos no caso.

*Com informações da Agência Estado

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