RJ é o quinto pior Estado na vacinação contra gripe H1N1

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro começa este último dia da campanha nacional de vacinação contra o H1N1 (gripe suína) como dono do quinto menor índice percentual de imunização dentre as 27 unidades federativas do país. Com 58,91% da população alvo vacinada, o Rio apresenta a pior taxa entre os Estados da região Sudeste e está à frente apenas de Mato Grosso (55,79%), Amazonas (55,70%), Bahia (54,68%) e Roraima (54,36%). O Rio de Janeiro permanece abaixo da média nacional (69,75%). Os dados são do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), do Ministério da Saúde.

Superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental – órgão ligado à Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil (SESDEC) – Alexandre Chieppe admite que o resultado é aquém do desejado, mas procura justificativas lembrando, por exemplo, os danos causados pelas fortes chuvas de abril em todo o Estado.

“No primeiro dia D de vacinação, que é um grande dia de mobilização, tivemos a adesão de muitos poucos municípios, porque muitos deles estavam com problemas de abastecimento de rede elétrica, de comprometimento dos serviços de saúde. Os profissionais de saúde ainda estavam muito envolvidos no atendimento às pessoas vítimas de enchentes, ou vítimas de soterramentos e desabamentos”, explica.

Chieppe também atribui a baixa adesão ao receio que muitas pessoas apresentavam em relação aos supostos efeitos colaterais da vacina. Ele desconfia ainda que esteja havendo atrasos na transferência de dados dos municípios ao Programa Nacional de Imunizações.

“O número de doses aplicadas informadas no sistema está bem abaixo do número de vacinas enviadas para os municípios. Como a gente sabe que esses municípios não têm uma capacidade de armazenamento muito grande, infere-se que essas doses foram aplicadas e estão sendo colocadas no sistema com um certo atraso”, sugere Alexandre Chieppe.

De acordo com o superintendente, a SESDEC recomenda prorrogação da campanha de vacinação e estimula os municípios a realizarem atividades fora dos postos de vacinação, no intuito de atingir a parcela da população alvo que ainda não foi vacinada. No Rio, apenas 24,97% dos adultos entre 30 e 39 anos tomaram a vacina. A tendência de baixa adesão à campanha no grupo mencionado repete-se nos demais Estados.

Segundo dados do SI-PNI, ainda restam 2,9 milhões de pessoas a serem vacinadas no Rio de Janeiro. Até o final desta quinta-feira (20), mais de 61,5 milhões de pessoas tinham sido vacinadas contra o vírus H1N1 em todo o país. A meta do governo é imunizar 88,2 milhões de cidadãos até o final da campanha.

A região que chegou mais próximo à meta de imunização foi a Sul, onde 78,98% da população alvo da campanha foi vacinada. Em seguida, vêm as regiões Sudeste (73,59%), Centro-Oeste (67,32%), Nordeste (62,69%) e Norte (61,40%).

Iniciada no dia 8 de março, a campanha atendeu aos seguintes grupos prioritários: trabalhadores de saúde, indígenas, gestantes (de 10 a 49 anos), portadores de doenças crônicas, crianças com menos de 2 anos e adultos entre 20 e 29 anos e 30 e 39 anos. Os critérios de definição dos grupos basearam-se na vulnerabilidade de tais grupos e nas estatísticas do ano passado referentes à doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2009, a influenza pandêmica (H1N1) atingiu 44.544 pessoas no Brasil, das quais 2.051 morreram. 42,4% das vítimas tinham entre 20 e 39 anos e 9,2% eram mulheres grávidas. Mais da metade das vítimas sofria de alguma doença crônica. Em 2010, no Rio de Janeiro, apenas um caso da doença foi confirmado (na capital fluminense) e não houve óbito.

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