Polícia conclui que delegado morto ao dar entrevista na BA foi vítima de "tentativa de assalto"

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Um dia depois do delegado Clayton Leão ser assassinado enquanto concedia uma entrevista ao vivo a uma rádio de Camaçari (região metropolitana de Salvador), a polícia baiana deu como concluída a investigação sobre o caso.

Em entrevista na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o secretário César Nunes e o delegado-chefe, Joselito Bispo, apresentaram os três acusados do crime e afirmaram estar convencidos de que a motivação foi uma tentativa de assalto seguida de morte, descartando a hipótese de crime encomendado.

 

Com a presença de cerca de 500 policiais civis e militares, o corpo do delegado foi enterrado no final da manhã desta quinta-feira (27) no cemitério do Campo Santo, em Salvador.

Segundo a polícia, quatro pessoas participaram do crime -- um suspeito morreu e os outros estão presos. Dois, Edson dos Santos e Reinaldo Valência, foram presos na noite de ontem devido à colaboração de um motorista de táxi, que teria sido vítima deles momentos antes do assassinato. Os suspeitos estavam no táxi tomado de assalto quando emboscaram o delegado.

Eles foram localizados em bairros diferentes da cidade de Camaçari. Um terceiro envolvido, identificado como Magno de Menezes dos Santos, se entregou na manhã de hoje e disse que sua participação no caso foi apenas a de motorista dos criminosos.

Em seu depoimento, Reinaldo Valência confessou que atirou no delegado quando percebeu que ele “estava com a arma entre as pernas”. Segundo Valência, eles tentavam furtar mais um veículo e teriam encontrado o delegado parado na estrada, falando ao telefone. No momento da abordagem, Leão dava a entrevista ao vivo.

Morte registrada ao vivo
Pouco antes de ser morto, o delegado havia estacionado o seu carro no acostamento da estrada da Cascalheira, que liga Arembepe a Camaçari, para ser entrevistado pelo celular, quando foi atingido por dois tiros na cabeça. Ele estava acompanhado pela mulher, que não sofreu ferimentos.

O delegado participava do programa “De Olho na Cidade”, comandado pelos radialistas Marco Antonio Ribeiro e Raimundo Rui. “Ele seria entrevistado em nosso estúdio, mas telefonou para avisar que não chegaria a tempo porque tinha levado a mulher para uma clínica odontológica. Então, ele mesmo sugeriu para ser entrevistado pelo celular, só pediu um minuto para estacionar o carro”, disse Ribeiro.

Muito abalada e chorando sem parar, a dentista Simone de Oliveira, viúva do delegado, permaneceu a maior parte do tempo abraçada com familiares. “O que vou fazer agora para criar os meus filhos?”, disse a dentista a uma amiga. A viúva não quis dar entrevista. No entanto, em depoimento informal à SSP, Oliveira, que tem dois filhos (um de cinco anos e outro bebê), disse que o delegado, após ser atingido com dois tiros na cabeça, caiu em seu colo. Em seu depoimento, a dentista contou, ainda, que o delegado foi assassinado no momento em que tentava tirar o cinto de segurança.

*Com informações da Agência Estado e de colaboração em Salvador

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos