Estudo do Ipea sugere descentralização na gestão dos aeroportos

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

Em estudo divulgado nesta segunda-feira (31), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere a possibilidade da exploração de empresas privadas no setor aéreo como forma de ampliar e melhorar os serviços de aviação civil no país.

O estudo “Panorama e Perspectivas para o Transporte Aéreo no Brasil e no Mundo” recomenda a descentralização da atuação da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) no Brasil. Por meio de parcerias com empresas privadas, a estatal poderia construir novos terminais, novos aeroportos e, inclusive, abrir seu capital no mercado de ações, sugere o estudo.

Atualmente, a Infraero é responsável por 67 aeroportos, 80 unidades de apoio à navegação e 32 terminais de logística. Os terminais da Infraero respondem por 97% da movimentação de transporte aéreo de passageiros e carga do Brasil, apesar do país contar com 4.263 aeroportos e aeródromos – número que o deixa na segunda posição do mundo como possuidor da segunda maior rede, só perdendo para os Estados Unidos, com 14.497 unidades.

O levantamento reforça que um dos maiores problemas da aviação nacional é a saturação dos terminais. Os aeroportos paulistas (Guarulhos e Congonhas), do Rio de Janeiro (Antonio Carlos Jobim - antigo Galeão) e o de Brasília (JK) representam juntos 49% do total da movimentação de passageiros do país. Só nos terminais paulistas, há concentração de 30% da movimentação aérea, sendo que, em Guarulhos, circulam 18,2 milhões de passageiros por ano e, em Congonhas, 12,1 milhões/ano.

Na movimentação de cargas, a realidade de concentração é semelhante. Guarulhos responde por 32,7%, Viracopos (em Campinas), por 15,7% e Manaus, 9,6%. Os três aeroportos concentram 63% da movimentação do país, segundo dados oficiais de 2008.

Para Carlos Campos Neto, consultor do Ipea, com a perspectiva de crescimento do PIB brasileiro, os problemas devem ser acentuados. “O que o estudo mostra é que hoje já existe uma demanda reprimida, mais pedidos de voos e decolagens do que esses principais aeroportos conseguem atender. (...) É uma situação bastante séria”, definiu.

O levantamento identifica a urgência de investimento no setor que, como está, não irá suportar o crescimento do tráfego aéreo. A previsão é de que o fluxo aéreo triplique em 20 anos.

O instituto ainda destaca áreas que necessitam de cuidados como: o investimento na aviação regional, a renovação da frota cargueira; a redução de carga tributária do setor (que chega a 39% de toda receita da aviação – enquanto nos Estados Unidos são da ordem de 7,5% e na União Europeia é, em média, 16%).

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