Especialistas denunciam ineficácia das políticas públicas contra efeitos das tempestades

Da Agência Brasil

No Rio de Janeiro

Especialistas afirmam que os responsáveis pelas vítimas de enchentes e deslizamentos de encostas são os governos e não a natureza. Reunidos nesta quarta-feira (2) no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) para um debate sobre os efeitos dos temporais na capital fluminense, especialistas debatem a necessidade de medidas preventivas para que a cidade evite novas catástrofes causadas pelas chuvas.

Segundo o coordenador do Laboratório de Hidrologia da COPPE/UFRJ e um dos maiores especialistas do país quando o assunto é água e esgoto, professor Paulo Canedo, entre as principais causas dos desastres que vitimam a população estão a falta de fiscalização e de políticas rígidas de controle de ocupações.

“O planejamento urbano tem que levar em consideração as fragilidades das regiões. Alguns prefeitos incentivam e induzem a população a morar em áreas de risco. Na baixada fluminense é muito comum ver o arruamento de pôlderes, que são espaços reservados para encharcar e fazer esgotamento de áreas pluviais. Recentemente vimos um exemplo de loteamento de lixões, como no morro do Bumba, em Niterói. Nós [técnicos] entendemos que não basta a construção de concreto armado, e sim, leis para evitar a reocupação dessas áreas”, afirmou Canedo.

“A estagnação do poder público contribuiu muito para a multiplicação das áreas de risco com a expansão demográfica. Os governos parecem não acompanhar os estudos históricos e técnicos das áreas de encostas, onde muitas vezes permitem as habitações”, afirmou Willy Lacerda, professor de Engenharia Geotécnica da Coppe/UFRJ.

O físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras e atual diretor da Coppe/UFRJ, disse que a reunião é ponto de partida para um documento que deve lembrar à sociedade que as grandes tempestades, as catástrofes, sempre existiram. “O que nós precisamos é aprender a evitar que elas causem mortes. A mobilização social é papel de diversas entidades que precisam saber de todas essas questões discutidas na universidade para cobrar dos governos as providências adequadas”, afirmou Pinguelli.

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