Entidade diz que só mulher pode participar de concurso de baliza na BA

Especial para o UOL Notícias

Em Salvador

Em reunião realizada na Câmara Municipal de Camaçari (região metropolitana de Salvador), a Afab (Associação de Fanfarras e Bandas) da Bahia anunciou a proibição homens nos concursos artísticos de baliza realizados em todo o Estado. A equipe que desrespeitar a determinação, de acordo com a entidade, será desclassificada. O presidente da entidade, Edmilson Castro de Oliveira, afirmou que a proibição não representa homofobia ou qualquer tipo de discriminação.

Comuns principalmente em cidades do interior, as balizas integram a “comissão de frente” das fanfarras. Seus integrantes normalmente utilizam arcos ou pedaços de madeira forrados e decorados para fazer apresentações cênicas durante os desfiles. “Os dicionários registram que baliza é uma palavra feminina e, portanto, deve ser feita por mulheres.” De acordo com Oliveira, a decisão refere-se exclusivamente aos concursos. “Nas festas cívicas não existe nenhuma restrição, homens e mulheres podem participar sem problemas”, acrescentou. O GGB (Grupo Gay da Bahia) informou que vai “tentar convencer” a Afab a mudar de opinião e permitir a participação de homens nos concursos de balizas. “Não queremos criar nenhum atrito entre gays e mulheres, mas não vamos descansar enquanto não conseguirmos reverter esta situação”, disse Marcelo Cerqueira, presidente da entidade.

De acordo com ele, o ideal seria que a Afab criasse uma “categoria exclusiva” para a disputa masculina. “Acho que todos estamos de acordo que os homens têm mais força física e poderiam participar das competições entre si. Agora, proibir a participação de pessoas do sexo masculino em concursos é um exagero.” Há uma semana, José Júlio Silva dos Santos, 29, encaminhou uma carta ao GGB denunciando a “discriminação da Associação de Fanfarras e Bandas. “Estou muito triste com este absurdo, é preciso uma mudança urgente no comportamento das pessoas que dirigem a entidade”, escreveu o baliza.

Marcelo Cerqueira acrescentou que o fato de muitos homens “carregarem na maquiagem” durante o concurso não significa que as balizas induzem ao homossexualismo. “É evidente que há muitos homossexuais nas competições, mas o problema está na discriminação. Se for dessa forma, daqui a pouco outras entidades vão se sentir no direito de barrar homossexuais do futebol, basquete ou vôlei, por exemplo.” Cerqueira acrescentou que encaminhou um ofício ao Ministério Público para saber se a decisão tomada pela Afab tem amparo legal.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos