No Rio, morador do Alemão se sente mais livre do que o do "asfalto", diz estudo

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro*

  • FGV-RJ

    <b>Azul</b> - Zona B - zona sul, bairros da Barra e Santa Teresa<br> <b>Amarelo</b> - Zona A - zonas norte, oeste e central<br><b>Vermelho</b> - Complexo do Alemão

    Azul - Zona B - zona sul, bairros da Barra e Santa Teresa
    Amarelo - Zona A - zonas norte, oeste e central
    Vermelho - Complexo do Alemão

Estudo divulgado nesta segunda-feira (7) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) no Rio de Janeiro revela que moradores do Complexo do Alemão, conjunto de favelas do subúrbio, sentem mais liberdade de ir e vir do que cidadãos do “asfalto”, isto é, os que não moram em comunidades.

De acordo com a pesquisa, os que residem no complexo marcaram 68 pontos neste aspecto, em uma escala de zero a 100, enquanto noutras regiões da cidade – sócio e economicamente mais desenvolvidas – o índice registrado foi de 44 (zona sul, os bairros da Barra e Santa Teresa – chamada Zona B na pesquisa) e 39 (zonas norte, oeste e central - exceto Barra da Tijuca e Santa Teresa – Zona A).

Segurança e acesso à Justiça
A pesquisa também mostra que a sensação de segurança tem pouco respaldo na presença da polícia em cada região. Enquanto o morador da Zona B, em média, atribui 70 pontos ao atendimento dos policiais, no Complexo do Alemão a média das respostas foi de 26.

“A população do Complexo do Alemão se sente muito mais livre para ir e vir, mas de outro lado critica muito a atuação e o tratamento da polícia”, afirmou o cientista político Marcelo Simas, um dos coordenadores da pesquisa.

Quanto à atuação da Justiça na tarefa de proteger igualitariamente todos os cidadãos, os índices obtidos foram baixos em todas as áreas: 13 na Zona B, 15 na Zona A e 26 no Alemão.

O morador do Complexo também foi o que atribuiu maior índice à igualdade de oportunidades entre os cidadãos, 51, enquanto nas Zonas A e B, os índices obtidos foram 34 e 23, respectivamente.

A pesquisa é inédita no país e foi realizada em parceria entre o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), ambos da FGV. Os pesquisadores ouviram 1.100 pessoas entre setembro de 2009 e maio deste ano: 350 na zona B, 350 na zona A e 400 no Complexo do Alemão.

*Com informações da Agência Brasil

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