Manifestantes tentam negociar entrada de comida em fórum de SP

Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Manifestantes que, desde a noite desta quarta-feira (9) ocupam o saguão do Fórum João Mendes, no centro da capital paulista, por reposição salarial, tentam negociar a entrada de comida no local. O expediente foi encerrado às 17h, e somente os grevistas estão no fórum neste momento.

A negociação para a entrada de comida foi iniciada pelo deputado federal Ivan Valente (Psol), em reunião com juízes auxiliares do Tribunal de Justiça de SP, José Maria Camara Junior e João Batista Rebouças. Segundo o deputado, os magistrados disseram que concordam em liberar a entrada dos produtos, mas apenas depois que os manifestantes iniciarem um diálogo sobre a desocupação, mostrando que há intenção real de deixar o local.

O TJ-SP informa que não há uma política para vetar a entrada dos alimentos, mas que o fórum está fechado em razão do manifesto. Por isso, afirma que não está impedindo o acesso à comida e que autorizou a saída a qualquer momento dos que quiserem comer. Às 17h, três alegaram motivos pessoais e deixaram o fórum. Na praça João Mendes, cerca de 600 manifestantes ameaçam bloquear avenidas da região caso não seja liberada rapidamente a distribuição dos mantimentos.

Frio e fome
Ronaldo Canali, Ivanir Vargas e Renato de Paula Neves, que deixaram o fórum, relataram ter passado muito frio no saguão e contaram que os banheiros internos estão sem papel higiênico. Os três também disseram que algumas pessoas tiveram tontura por conta da falta de comida e de água. Pela conta deles, ainda são 76 os manifestantes dentro do prédio e, nesse grupo, não se trabalharia com a hipótese de interrupção do protesto.

Segundo Elizabete Borgiani, que integra a comissão de negociação, os manifestantes do lado de fora do prédio tentaram durante a manhã levar comida aos que estão dentro do Fórum, mas a sacola com sanduíches e água foi devolvida. Os grevistas pediram a ajuda da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para entregar a comida. A qualquer momento uma equipe da comissão deve chegar ao local.

A OAB, por sua vez, divulgou nota na qual diz lamentar a invasão do fórum. "A OAB-SP lamenta a invasão do prédio do Fórum João Mendes, que só vem a agravar a situação e prejudicar ainda mais o diálogo reaberto na última segunda-feira (7) entre o tribunal e entidades representativas dos servidores. Entende que o caminho na busca da solução do impasse passa pela mesa de negociações."

Encontro com o governador
Uma reunião entre o presidente do TJ-SP, dembargador Antonio Carlos Viana Santos, e o governador Alberto Goldman (PSDB) para discutir a situação estava marcada para as 12h desta quinta, mas não aconteceu.

De acordo com os assessores do palácio, o governador do Estado sancionou no dia 26 de maio a Lei Complementar número 1111, que cria plano de cargos e carreira para os servidores do judiciário. A lei também estabelece um novo padrão de salários. Mas, segundo Elizabete Borgiani, a legislação prevê um reajuste de apenas 5%, valor que não repõe as perdas da categoria nos últimos oito anos. 

Os servidores da justiça estão em greve desde o dia 28 de abril. Eles pedem uma reposição de 20,16%. Já o TJ afirma que desde o início da greve abriu espaço para negociação, recebendo os servidores todas as quartas-feiras. No entanto, as mudanças dependem de projeto de lei, a ser encaminhado pelo Executivo.

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