Sem comida, grevistas que ocupam Fórum em SP pedem ajuda à OAB

Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os servidores da Justiça que ocupam desde a noite desta quarta-feira (10) o saguão do Fórum João Mendes, no centro da capital paulista, reclamam da falta de comida e água. Cerca de cem funcionários passaram a noite no local e 60 deles seguem acampados ali em protesto por melhoria salarial.

Segundo Elizabete Borgiani, que integra a comissão de negociação, os manifestantes do lado de fora do prédio tentaram durante a manhã levar comida aos que estão dentro do Fórum, mas a sacola com sanduíches e água que foi entregue ao juiz assessor da presidência do tribunal, José Maria Câmara Jr., foi devolvida. Ela afirmou que o juiz não permitiu que nenhum dos servidores tivesse acesso aos alimentos. A assessoria do TJ confirmar a informação, e disse que os manifestantes podem sair para comer se quiserem.

Os grevistas pediram a ajuda da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para entregar a comida. A qualquer momento uma equipe da comissão deve chegar ao local.

De acordo com os grevistas, cerca de mil pessoas se concentram do lado de fora do Fórum João Mendes. Já de acordo com a polícia o número gira em torno de 500 pessoas.

Frio

A auxiliar judiciária, Sandra Regina, 46, trabalha em São Bernardo, na Grande São Paulo, mas, em apoio aos colegas de profissão que estão dentro do Fórum, decidiu passar a noite do lado de fora. Ela conta que o frio foi intenso durante a madrugada e que aqueles que ficaram para apoiar o movimento precisou descansar no chão frio da praça. Segundo Sandra Regina, o grupo recebeu doação de alguns cobertores, mas eles não eram suficientes para todos e foi preciso revezar. 

Desinformação

Todas as entradas do Fórum João Mendes foram fechadas e cartazes indicam que os expedientes e prazos estão suspensos. Muita gente foi pega de surpresa com a situação. 

O motorista Ricardo Silva Lima foi convocado para ser testemunha em uma audiência que aconteceria na tarde de hoje e, sem nenhuma informação, decidiu não ir embora com medo de ser punido, caso a audiência acontecesse e ele não estivesse presente. Com a intimação na mão, desabafou: "Tenho medo de eu ser preso ou alguma coisa assim. Não tem ninguém para falar nada".

Os advogados também ficaram na mão. Eliana Leka tinha que devolver um processo de indenização hoje. Deny Williams precisava retirar um outro processo para preparar um recurso cujo prazo termina na próxima segunda-feira. Luciana Azevedo também tinha uma audiência com testemunhas. Ao UOL Notícias, eles disseram que consideram a greve legítima, mas criticaram a falta de informações por parte da assessoria do tribunal. "Eles não colocaram nada nem no site", reclama Luciana Azevedo.

Encontro com o governador

Uma reunião entre o presidente do TJ-SP, dembargador Antonio Carlos Viana Santos, e o governador Alberto Goldman (PSDB) para discutir a situação estava marcada para as 12h desta quinta-feira, mas não aconteceu.

De acordo com os assessores do palácio, o governador do Estado sancionou no dia 26 de maio a Lei Complementar número 1111, que cria plano de cargos e carreira para os servidores do judiciário. A lei também estabelece um novo padrão de salários. Mas, segundo Elizabete Borgiani, a legislação prevê um reajuste de apenas 5%, valor que não repõe as perdas da categoria nos últimos oito anos. 

Os servidores da justiça estão em greve desde o dia 28 de abril. Eles pedem um reposição de 20,16%.

O protesto começou após uma reunião entre os grevistas e desembargadores do TJ. Segundo informações da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, cerca de 500 manifestantes já ocupavam a praça João Mendes, em frente ao fórum, em assembleia, quando o Órgão Especial do TJ decidiu, por 19 votos a cinco, manter o desconto por dias não trabalhados aos grevistas. A decisão foi informada aos manifestantes por volta das 16h de ontem.

Nesse momento, parte deles adentrou o fórum, cuja entrada é liberada, e não quis mais sair após o encerramento do expediente, às 19h. O juiz Câmara Jr. conversou com os manifestantes, que não deram prazo para deixar o fórum, e afirmou que não haverá confronto. Em nome do TJ, ele permitiu a permanência dos grevistas.

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