Procuradora nega tortura contra menina e diz que acusações são conspiração

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

  • Domingos Peixoto/ Agência O Globo

    Procuradora aposentada se entregou à Justiça acusada de torturar menina de 2 anos

    Procuradora aposentada se entregou à Justiça acusada de torturar menina de 2 anos

Durante pouco mais de uma hora de interrogatório à Justiça, a procuradora aposentada Vera Lúcia de Santa’Anna Gomes negou nesta sexta-feira (11) ter torturado uma menina de dois anos que pretendia adotar no Rio de Janeiro. Ela apresenta sua versão ao juiz da 32ª Vara Criminal do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), Mario Henrique Mazza, em audiência que teve início às 14h e na qual também foram ouvidas seis testemunhas de acusação e quatro de defesa.

Em seu depoimento, que aconteceu a portas fechadas e faz parte do processo em que a procuradora é acusada pelo crime de tortura, Vera Lúcia disse ser vítima de uma conspiração. Segundo a promotora do caso, Carla Rodrigues Araújo de Castro, a ré apareceu bem arrumada para depor, mas, em determinados momentos, apresentou uma versão desencontrada, acusando os empregados que a denunciaram de encamparem uma conspiração e até atribuindo a culpa a pedófilos, sem explicar a razão.

“A ré falou muito, contou muitas histórias, se perdeu nas histórias que contou. Falou que poderia ser por conta dos empregados, por conta da agência de empregos, e no final, falou até que poderia ser por conta dos pedófilos”, disse a promotora. “Enfim, várias teses absolutamente absurdas, que não foram comprovadas pela defesa. Mas ela está no papel dela, e réu pode dizer o que quiser.”

“Foi a mamãe Vera”
Ao final da sessão, a promotora afirmou que fatos novos foram trazidos pelas testemunhas e que corroboram, segundo ela, para a tese da acusação. Entre os depoimentos, está o de uma psicóloga que examinou a menina logo após as agressões. “Foi a mamãe Vera”, teria dito a criança ao ser questionada quem teria feito aquilo com ela, segundo relatou a testemunha ao juiz.

Ainda segundo os depoimentos, Vera Lúcia deixava a menina num quarto sem janelas, escuro e houve ocasiões em que teria deixado a criança um dia inteiro de castigo. Além disso, testemunhas afirmaram que a procuradora se irritava frequentemente com a menina sem motivo, pois a garota seria dócil e doce.

O advogado da procuradora, Jair Leite Pereira, saiu sem falar com a imprensa. Mais cedo, defendeu que se tratava de maus-tratos, um crime com uma pena menor. “Acho que há diferenças muito grandes entre tortura e maus-tratos. O caso dela, no máximo, no meu entender, seria de maus-tratos. Ou, se não ficar provado que ela causou as lesões, a negativa de autoria”, afirmou.

Se condenada, Vera Lúcia cumprirá pena de dois a oito anos. Se o tribunal considerar que ela cometeu maus-tratos, a pena é de dois meses a um ano. A sentença ainda não tem data definida. Acusação e defesa ainda devem apresentar suas alegações finais na próxima semana.

Vera Lúcia está presa desde o dia 13 de maio na unidade feminina do presídio Nelson Hungria, em Bangu, zona norte do Rio. Na última terça-feira (8), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou pedido de habeas corpus em favor da acusada. Desembargadores da 4ª Câmara Criminal do TJ-RJ já haviam negado o pedido feito pela defesa para que a procuradora aposentada respondesse em liberdade.

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