Justiça do Rio determina volta imediata de garis ao trabalho

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A desembargadora Glória Regina Ferreira Mello, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região, considerou que a paralisação de garis no município do Rio de Janeiro “atinge atividade essencial” e deferiu liminar na tarde desta segunda-feira (14) ordenando que um mínimo de 60% dos trabalhadores da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) volte imediatamente ao trabalho. O desrespeito à determinação acarretará em multa diária de R$ 50 mil ao Sindicato.

Em greve desde a meia-noite desta segunda-feira, garis e lixeiros do Rio realizarão assembleia às 17h de hoje em frente à sede da Prefeitura, na Cidade Nova, centro da cidade.

“Amanhã tem jogo do Brasil, a gente não quer prejudicar o cidadão”, afirmou Antônio Carlos da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro (SEEACMRJ). Ele considerou provável que a greve seja temporariamente interrompida, mas ressalvou que isso dependerá daquilo que os profissionais da categoria decidirem, e não significa o fim das reivindicações.

As principais demandas da categoria são o aumento do piso salarial de R$ 468 para R$ 581 e do auxílio-alimentação de R$ 7,93 para R$ 12. Segundo o vice-presidente do sindicato, a prefeitura propôs aumentar o auxílio-alimentação para o valor de R$ 9 e elevar o piso para R$ 510, mas a proposta foi considerada insuficiente pela categoria.

“É um protesto contra a questão de ganharmos menos que o salário mínino do Estado. O gari não para, trabalha quase o ano todo. Quando teve aquelas chuvas, foi o gari que limpou tudo, que deu um jeito na cidade. Aí chega nessas horas e nós não somos valorizados”, reclamou Antônio Carlos.

Dos cerca de 19 mil funcionários da Comlurb, 12 mil são garis ou coletores. Segundo o SEEACMRJ, apenas 30% destes estão trabalhando hoje em coletas essenciais, como a limpeza dos resíduos sólidos de hospitais, escolas e feiras livres. Diariamente, a Comlurb coleta 8.800 toneladas de lixo no município. Cerca de 40% do total equivale à quantidade de resíduos retirados das ruas.

Na noite deste domingo (13), a Comlurb divulgou nota alegando não reconhecer a greve e informando que poderá demitir funcionários. A empresa também argumentou que não há motivos para a paralisação, alegando que no ano passado a categoria recebeu um aumento de 15%, índice superior aos 7% de reajuste concedido em 2009 aos demais servidores municipais.

Segundo a assessoria da empresa, a Comlurb foi pega de surpresa com a greve e não tem ideia de quantos funcionários estão parados neste momento. A assessoria informou durante a manhã que houve piquete em alguns pontos da cidade, sobretudo a zona sul, para impedir que veículos de coleta saíssem às ruas. A informação, no entanto, não foi confirmada pela Polícia Militar.

Às 17h de hoje, o TRT realizará audiência de conciliação entre o Sindicato e a Comlurb.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos