Operação da PF contra fraude em precatórios federais apreende computadores e documentos

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Após passar a manhã cumprindo mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal (PF) em Juiz de Fora, Minas Gerais, confiscou computadores, talões de cheques e outros documentos de suspeitos de participar de uma quadrilha especializada em saques fraudulentos de precatórios da União.

A investigação, apelidada de Operação Pluto, teve início há dois meses, quando uma mulher sem nome divulgado foi presa ao usar um documento de identidade falso para sacar R$ 475 mil de uma agência central da Caixa Econômica Federal (CEF) em Juiz de Fora. Desde então, as autoridades estão rastreando as redes de contato da criminosa, tentando esquadrinhar o grupo que aplica os golpes.

Segundo Claudio Nogueira, delegado responsável pelo caso na PF, a quadrilha tinha como foco precatórios de pequeno valor, que poderiam ser sacados sem um alvará judicial. "São valores pequenos, mas que, com o tempo, começam a ficar maiores por conta das correções monetárias", explicou.

Como ele afirma, os criminosos conseguiam informações privilegiadas sobre os próximos nomes a serem liberados para os saques e, com ajuda de laranjas, iam até a boca do caixa tentar conseguir o dinheiro. "Em alguns casos, os titulares originais já estavam mortos. Em outros, a pessoa estava até viva, mas tinha esquecido o assunto ou mesmo não estava acompanhando o trâmite para reaver a verba, processo que demora muito", disse.

Foram visitados pela PF hoje oito residências, um escritório de advocacia e uma clínica para viciados em drogas, entidade que seria comandada por um dos "cabeças" do bando. Como explica o delegado, a partir de amanhã serão feitas todas as análises nos materias apreendidos para que a investigação prossiga com o maior número de acusados. "É difícil calcular quantos são os membros da quadrilha. Mas sabemos que são muitos e que poderiam agir em todo o Brasil."

Pluto
O nome da operação é uma alusão à obra do filósofo Aristófanes, que, segundo a PF, descreve negociantes desonestos e governantes que agem em causa própria. A maioria dos responsáveis pelos precatórios julgados são do Tribunal Federal da 5ª Região, que abarca vários Estados do Nordeste (Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe), sendo alguns também oriundos dos Tribunais Regionais do Trabalho.

Os responsáveis pelas fraudes são figuras políticas de Juiz de Fora e região, já investigados em outras operações da PF, como advogados, funcionários da CEF, empresários e “laranjas”. Está sendo investigada ainda a participação de servidores da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho na fraude, órgãos que possuem acesso à lista dos precatórios que são pagos.

Os crimes da quadrilha podem ser configurados como formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsidade documental, estelionato, além de crimes contra administração pública, caso seja provada a intervenção de servidores públicos para a facilitação dos crimes da quadrilha.

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