Após acordo com a PM, grevistas retiram barracas da praça João Mendes (SP); greve do judiciário continua

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Os manifestantes que ocupavam desde a noite de quarta-feira (9) a praça em frente ao Fórum João Mendes, no centro da capital paulista, retiraram na noite desta segunda-feira (14) as barracas que usavam para dormir no local. A saída aconteceu após acordo com a Polícia Militar.

Segundo Yvone Barreiros Moreira, presidente da Associação dos Oficiais de Justiça de São Paulo, uma das entidades envolvidas nas negociações, a greve do judiciário, que já dura mais de 50 dias, continua e não tem data para acabar. "Temos cerca de 200 pessoas na praça realizando piquetes e pedindo para as pessoas não entrarem no fórum. Hoje, apenas funcionários tercerizados e o pessoal da limpeza estão lá dentro. A adesão é de 95%, mas ainda não tivemos nenhuma resposta dos juízes que negociam a greve", afirmou.

Os servidores da Justiça estão em greve desde o dia 28 de abril. Eles pedem uma reposição salarial de 20,16%. Amanhã (16), a categoria realiza uma nova assembleia para decidir os rumos da paralisação. Na quinta-feira (17), acontece uma audiência de conciliação entre as partes no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ontem, a seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu reiterar apoio ao TJ. O presidente da entidade, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que o prejuízo ao andamento de alguns processos pode chegar a um ano de atraso.

“O pleito é justo, e a OAB apoia esse pleito. O que não é justo é a população sair prejudicada, porque os processos param. É gente que não recebe o dinheiro, criança que não tem assistência, pessoa de idade que não recebe o que é devido. As vidas das pessoas estão nos processos”, disse D’Urso ao UOL Notícias.

A OAB-SP decidiu oficiar mais uma vez ao TJ para que todos os prazos dos processos sejam suspensos no Estado. Na segunda, o tribunal suspendeu apenas os que tramitam no Fórum João Mendes Jr., entre ontem e hoje. Além disso, o tribunal suspendeu por 15 dias corridos o serviço de solicitação e entrega de certidões cíveis no fórum, que abriu normalmente.

Segundo D’Urso, “em um mês e meio de paralisação, que não é total, mas onde o fórum, o cartório, não funciona, demora mais de um ano para voltar a colocar em dia esse serviço. Uma audiência que não se realiza agora, não tem condição de se realizar daqui dois ou três meses, porque já tem outros processos na agenda”.

O Fórum João Mendes, onde tramitam cerca de 2,5 milhões de ações, ficou fechado por dois dias depois que manifestantes decidiram permanecer no local até que o TJ aceitasse suas reivindicações. O Fórum Hely Lopes Meirelles, também no centro de São Paulo, que trata dos processos da Fazenda Pública e de acidentes de trabalho, também ficou sem expediente entre quarta e sexta-feira, quando os manifestantes desistiram da ocupação.

Segundo Yvone Moreira, "essa demagogia da OAB irrita os servidores", porque "eles não fizeram nada para pressionar e tentar resolver o problema".

* Com reportagem de Rosanne D'Agostino.

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