Sem acordo, servidores do Judiciário paulista decidem continuar em greve

Raquel Maldonado*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Ale Cabral/ Futura Press

    Funcionários em greve fazem passeata em frente ao Fórum João Mendes por reposição salarial

    Funcionários em greve fazem passeata em frente ao Fórum João Mendes por reposição salarial

Durante assembleia realizada na tarde desta quarta-feira (16) na praça em frente ao Fórum João Mendes, no centro da capital paulista, os servidores do Judiciário paulista decidiram pela continuidade da paralisação por tempo indeterminado.

“Não tivemos nenhuma resposta dos juízes que negociam a greve, por isso decidimos continuar parados”, afirmou Yvone Barreiros Moreira, presidente da Associação dos Oficiais de Justiça de São Paulo, uma das entidades envolvidas nas negociações.

Neste momento, os manifestantes seguem em passeata rumo ao prédio da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), que fica na praça da Sé. Após realizar um rápido ato em frente ao edifício, os grevistas voltarão ao Fórum João Mendes para finalizar a assembleia.

Os servidores da Justiça estão em greve desde o dia 28 de abril. Eles pedem uma reposição salarial de 20,16%, além da suspensão da Resolução 520, que permite que os dias parados sejam descontados do salário dos grevistas.

“O Tribunal de Justiça deve muito ao seus funcionários. Deve valores altíssimos, por isso é um absurdo que os dias em que ficamos em greve sejam descontados do nosso salário”, disse Yvone Moreira.

Amanhã (17), às 10h, acontece uma audiência de conciliação entre as partes no TJ-SP. A presidente da associação de funcionários espera que se chegue em um acordo na reunião de amanhã, mas já avisa que a categoria não abrirá mão de nenhuma de suas reivindicações.

“Espero o mínimo de bom senso do desembargador e que enfim seja possível uma conciliação entre as partes. Porém, não vamos deixar de lutar pela reposição salarial de 20,16%. Se eles disserem que não podem pagar tudo, podemos até aceitar que o pagamento seja feito em duas vezes. Podemos até negociar, mas não abriremos mão dos nossos direitos”, finalizou Yvone Moreira.

Fim do acampamento
Os manifestantes que ocupavam desde a noite do último dia 9 a praça em frente ao Fórum João Mendes retiraram na noite desta segunda-feira (14) as barracas que usavam para dormir no local. A saída aconteceu após acordo com a Polícia Militar.

Na segunda-feira a seccional paulista da OAB decidiu reiterar apoio ao TJ. O presidente da entidade, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que o prejuízo ao andamento de alguns processos pode chegar a um ano de atraso.

“O pleito é justo, e a OAB apoia esse pleito. O que não é justo é a população sair prejudicada, porque os processos param. É gente que não recebe o dinheiro, criança que não tem assistência, pessoa de idade que não recebe o que é devido. As vidas das pessoas estão nos processos”, disse D’Urso ao UOL Notícias.

A OAB-SP decidiu oficiar mais uma vez ao TJ para que todos os prazos dos processos sejam suspensos no Estado. Na segunda, o tribunal suspendeu apenas os que tramitam no Fórum João Mendes Jr., entre ontem e hoje. Além disso, o tribunal suspendeu por 15 dias corridos o serviço de solicitação e entrega de certidões cíveis no fórum, que abriu normalmente.

Segundo D’Urso, “em um mês e meio de paralisação, que não é total, mas onde o fórum, o cartório, não funciona, demora mais de um ano para voltar a colocar em dia esse serviço. Uma audiência que não se realiza agora, não tem condição de se realizar daqui dois ou três meses, porque já tem outros processos na agenda”.

O Fórum João Mendes, onde tramitam cerca de 2,5 milhões de ações, ficou fechado por dois dias depois que manifestantes decidiram permanecer no local até que o TJ aceitasse suas reivindicações. O Fórum Hely Lopes Meirelles, também no centro de São Paulo, que trata dos processos da Fazenda Pública e de acidentes de trabalho, também ficou sem expediente entre quarta e sexta-feira, quando os manifestantes desistiram da ocupação.

*Com reportagem de Fabiana Uchinaka e Rosanne D'Agostino
 

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