PF prende 12 pessoas por fraude em concurso público; candidatos pagavam até R$ 150 mil por prova

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Polícia Federal desencadeou nesta quarta-feira (16) a Operação Tormenta para desarticular uma quadrilha que fraudava concursos públicos em todo o país há pelo menos 16 anos. Doze pessoas foram presas e 34 mandados de busca e apreensão foram cumpridos -- 21 na Grande São Paulo, três na região de Campinas, no interior paulista, nove na Baixada Santista e um no Rio de Janeiro. Outras seis pessoas que foram beneficiadas pela fraude foram desligadas do concurso de agente da PF e indiciadas por receptação e tentativa de estelionato.

Entre os presos, estão o dono de uma faculdade de médio porte na região de Campinas, um policial rodoviário federal e professores, que resolviam as provas. Durante a operação, foram encontrados pontos eletrônicos, cadernos de provas e dinheiro em real e dólar. Segundo a PF, os interessados pagavam de R$ 25 mil a R$ 150 mil para passar nos concursos.

As investigações começaram em 2009, depois que a PF recebeu informações sobre um concurso para agente de Polícia Federal. A partir disso, o grupo foi identificado e descobriu-se que ele atuava em diversos Estados. 

Para obter o caderno de questões antes da prova, o grupo interceptava o material durante o transporte.

Além da prova da PF, a organização tinha acesso privilegiado às provas do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da segunda fase e do concurso da Receita Federal (auditor-fiscal/1994). Foram identificados 53 candidatos que tiveram acesso à prova de agente federal, 26 candidatos que tiveram acesso à prova da OAB e cerca de 41 candidatos que teriam tido acesso à prova da Receita Federal.

O grupo também tentou fraudar, sem sucesso, concursos da Caixa Econômica Federal, da ANEEL ( Agência Nacional de Energia Elétrica), do INSS (perito médico), da AGU (Advogado da União), da Santa Casa de Santos (residência médica), de defensor público da União e da Faculdade de Medicina de Ouro Preto (MG). Outros indícios de fraudes estão sendo investigados pela PF.

Segundo a PF, a quadrilha aliciava as pessoas que tinham acesso ao caderno de questões, repassava as respostas por ponto eletrônico durante a prova e indicava uma terceira pessoa mais preparada para fazer o concurso no lugar do candidato-cliente. Os documentos e os diplomas exigidos em certos exames também eram falsificados.

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