Com funcionários da limpeza pública em greve, população de Vitória vê lixo se acumular nas ruas

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Prefeitura de Vitória (ES) não está conseguindo fazer com que ao menos 30% dos funcionários ligados à limpeza urbana, entre garis e motoristas de caminhão de limpeza pública, saiam às ruas para assegurar a limpeza da cidade. Os motoristas entraram em greve na última segunda-feira (14), e os garis aderiram à paralisação ontem.

Enquanto as partes não entram em acordo, o lixo já começa a se acumular nas ruas da região metropolitana de Vitória. A paralisação atinge também outras cidades capixabas, e o retorno ao trabalho normal depende de um acordo entre os sindicatos que representam as categorias e as empresas que operam no setor.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a prefeitura informou que, na capital capixaba, os motoristas que atuam na limpeza pública são contratados por uma empresa terceirizada e não integram o quadro de servidores municipais. Mas que, mesmo assim, está exigindo que a empresa prestadora de serviço assegure a limpeza da cidade e mantenha, pelo menos, 30% dos veículos e dos garis em atividade.

"A prefeitura está tomando todas as providências junto à empresa contratada a fim de minimizar os transtornos à população", disse o subsecretário de Limpeza Urbana, Paulo Renato da Cunha Pereira.

Nesta quarta, também foi enviada uma advertência à empresa Vital Ambiental com prazo de 24 horas para que apresente um plano de trabalho para manter a cidade limpa. A resposta será analisada e, caso não atenda às necessidades de limpeza pública, a empresa poderá ser notificada e multada.

Reivindicações
Segundo Levi Guilherme, diretor financeiro e administrativo do Sindicato dos Trabalhadores em Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares (Sindilimpe), que representa os garis, a categoria exige 15% de reajuste salarial, além de aumento de 43% no auxílio alimentação e redução da jornada de trabalho de oito para seis horas.

Os motoristas de caminhão de limpeza pública, representados pelo Sindicato dos Rodoviários (Sindirodoviários), também reivindicam 15% de reajuste salarial, aumento de 52% no auxílio alimentação, além de plano de saúde integral.

De acordo com o diretor de patrimônio do Sindirodoviários, Silvio Carlos Ramos de Oliveira, após algumas reuniões na semana passada, as empresas apresentaram uma proposta de 4% de aumento, porém a categoria não aceitou e, então, decidiu entrar em greve.

O Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) informou, por meio de nota, que “as empresas de limpeza urbana sempre recompuseram os salários com índices superiores à inflação, que asseguraram um ganho real aos trabalhadores acima de 11% nos últimos anos”.

Além disso, o sindicato declarou que “já buscou as autoridades competentes para fazer valer o cumprimento da legislação que garante a manutenção do atendimento mínimo à população em casos de paralisação de serviços essenciais, o que vem sendo descumprido pelo movimento grevista”.

Sobre a ausência de um número mínimo de funcionários para manter a limpeza da cidade, o diretor do Sindirodoviários disse que a situação é complicada, principalmente, porque a greve reúne duas categorias distintas. “Para que haja gente nas ruas trabalhando é preciso que tanto o coletor quanto o motorista estejam disponíveis, pois o motorista não sai sem o coletor e vice-versa. Além disso, queremos chamar a atenção para a nossa reivindicação”, disse.

Em seu site, a  prefeitura  recomenda aos moradores da capital que, se possível, não coloquem o lixo para fora nestes dias: "Aqueles que moram em casas podem acondicionar os resíduos em sacolas e armazená-las nos quintais ou garagens, sempre em locais cobertos. Quem mora em apartamentos deve depositar o lixo nos contentores. Se ele estiver cheio, a orientação é que as sacolas de lixo sejam armazenadas em algum ponto que não atrapalhe a circulação das pessoas."

Segundo as fontes ouvidas pelo UOL Notícias, ainda não há nenhuma reunião de negociação marcada entre as partes para os próximos dias.

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