Para morador do Rio, saúde é o pior serviço público

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A saúde é o serviço pior avaliado pelo morador do Rio de Janeiro, segundo o Índice de Percepção da Presença do Estado (IPPE), um estudo inédito no Brasil divulgado nesta segunda-feira (21) e desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre serviços públicos.

O morador do Complexo do Alemão (complexo de 13 favelas na zona norte da cidade) atribui 35 pontos, numa escala da 0 a 100, ao quesito. Moradores da zona sul e bairros de Santa Teresa e Barra da Tijuca, tida como a região mais rica da capital fluminense, dão nota 45 à saúde. A população das zonas norte, oeste e centro da cidade também reprovam a área, atribuindo nota 34.

A avaliação sobre os hospitais públicos alcança, respectivamente, 29, 38 e 27 pontos. No que diz respeito aos postos de saúde, os moradores da Zona Sul não estão satisfeitos com o serviço, atribuindo a ele nota 52. No entanto, a população do Alemão e das demais zonas da cidade está ainda mais insatisfeita, com uma média de respostas que chega apenas a 41 e 42, respectivamente.

Dados específicos sobre serviços públicos também abordam aspectos como educação, transporte, infraestrutura básica e ambientes de convivência. As 1.100 pessoas entrevistadas, todas entre setembro de 2009 e maio deste ano, foram divididas em três grupos: zona B (inclui a zona sul da cidade, além dos bairros de Santa Teresa e Barra da Tijuca), zona A (zona norte, zona oeste e centro) e Complexo do Alemão.

De acordo com Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador responsável pelo IPPE, os indicadores confrontam uma antiga concepção da cidade. “Esse estudo retrata bem que não existe a dicotomia entre asfalto e favela. Muitas vezes, a zona A parece mais com o Complexo do Alemão do que com a zona B. Os serviços variam muito. Isto mostra que existem várias cidades dentro da mesma.”

Educação
A pesquisa aponta ainda que os moradores do Alemão estão mais satisfeitos com a educação, ainda que por pequena margem. Na avaliação destes, as creches públicas que atendem a população local merecem 60 pontos, enquanto na zona A o índice é de 52, e de 48 na zona B. Sobre as escolas públicas, os três grupos possuem avaliação semelhante: moradores do Alemão dão nota 59, ao passo que os das zonas A e B atribuem, ambos, 55.

Segundo o pesquisador, há duas interpretações para entender porque a educação obtém melhor avaliação entre os moradores do Alemão do que pela população do asfalto. Primeiro, pode ser fruto do processo de universalização da educação pública. Em segundo lugar, indica Barbosa Filho, há um “ajuste de expectativas”, isto é, como uma considerável parcela dos moradores adultos do Complexo do Alemão não teve acesso à escola na infância e adolescência, estes pais já ficam contentes pelo simples fato de verem os filhos indo à escola.

Outro aspecto que registrou baixos índices de aprovação foi o de ambiente de convivência, que trata da pavimentação, iluminação e oportunidades de lazer oferecidas à população. Neste quesito, moradores do Complexo do Alemão dão nota 45, os da zona A, 43, e os da zona B, 49.

Por outro lado, o estudo da FGV aponta que moradores das Zonas A e B estão satisfeitos com o serviço de coleta de lixo, alcançando 74 pontos no primeiro grupo e 73 no segundo. Já entre os moradores do Alemão, a mesma avaliação cai para os 58 pontos. Curiosamente, a população que vive no Alemão demonstra-se satisfeita com os serviços de distribuição de energia no bairro (62) na mesma proporção das zonas A (64) e B (65).

Os dados divulgados hoje representam a segunda parte do estudo feito pela FGV. No início do mês, o órgão divulgou índices a respeito da percepção sobre justiça, igualdade, segurança pública, entre outros aspectos que dizem respeito à cidadania na cidade. Uma das conclusões da primeira fase do estudo foi a de que o morador do Complexo do Alemão sente-se mais livre do que a população que vive no asfalto, isto é, que não mora em favelas.

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