Justiça recebe denúncia contra 14 por importação fraudulenta em loja de luxo de SP

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O juiz Fausto De Sanctis recebeu denúncia e abriu ação penal contra 14 pessoas investigadas em um esquema de importação fraudulenta de artigos de luxo pela loja de decoração e perfumes da empresária Tânia Bulhões, no Jardim Europa, área nobre de São Paulo. Entre os acusados está a dona da loja, Tânia Bulhões Grendene Bartelle.

  • Danilo Verpa /Folha Imagem - 16.10.2007

    Operação deflagrada em 2009 envolveu a empresária Tania Bulhões, que possui, além da loja de móveis e decoração, aberta em 2005, outra de perfumes nos Jardins, região nobre de SP. A marca completou 20 anos em 2009. O faturamento em 2008 foi estimado em R$ 70 milhões
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O processo corre na 6ª Vara Criminal de SP, especializada em lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional. Agora, os acusados são réus por crimes como descaminho, sonegação fiscal e falsidade ideológica e têm prazo para apresentar sua defesa.

São acusados de descaminho (importação fraudulenta de produto lícito), de evasão de divisas e falsidade ideológica em operações de câmbio (cinco vezes) Ivan Ferreira Filho, Kátia Bulhões e Tânia Bulhões, pelo grupo Tânia Bulhões, uma funcionária, Magali Bertuol, e Márcio Campos Gonçalves, responsável por duas importadoras.

Os importadores acusados são Cristian Pólo, da By Brasil, Jonathan Schimdt e Luiz Henrique Rocha Reis, da Vila Porto, Jaime Antonio Filho, Jaime Antonio e Jayro Antonio, da J.A., e Fernando Souza Costa e Jorge Rodrigues Moura, da Socinter, além de Francisco Carlos Pontes de Oliveira, por formação de quadrilha e crime organizado.

Em nota, o Grupo Tania Bulhões afirma que as investigações dizem respeito a uma pequena parte da operação de uma de suas empresas, a Tania Bulhões Home, referente ao período de 2004/2005.

Diz ainda que a defesa do caso está sob responsabilidade do escritório de advocacia de Marcio Thomaz Bastos (ex-ministro da Justiça) e que "o grupo tem o máximo interesse em que a questão seja esclarecida e resolvida o mais rapidamente possível".

O UOL Notícias tenta contato com a defesa dos demais réus, mas ainda não obteve retorno.

Operação Porto Europa e Narciso
A denúncia teve como base operação realizada em julho de 2009 pela Receita Federal, com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, na chamada Operação Porto Europa.

Dona da Daslu foi condenada a 94 anos e meio de reclusão

  • Ana Ottoni/Folha Imagem - 22.set.2006

    Eliana Tranchesi, dona da Daslu, em SP, foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão por formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica; ela responde em liberdade

Foram apreendidos R$ 537 mil em dinheiro e R$ 1,6 milhões em cheques no cofre de uma das lojas, três computadores e seis HDs, notebooks, pendrives e muitos documentos, que apontam para a existência de offshores nas Ilhas Virgem, que seriam usados na remessa de divisas e lavagem de dinheiro.

A organização era investigada havia um ano quando a operação foi deflagrada, e a Receita concluiu que o grupo usou laranjas e práticas de subfaturamento nas importações entre 2004 e 2006. As faturas verdadeiras das compras que foram apresentadas à Receita com valor subfaturado também foram encontradas.

A operação foi um desdobramento da Operação Dilúvio, iniciada em 2006, em Curitiba. De acordo com o Ministério Público, a análise da documentação apreendida constatou que havia relação entre o caso Daslu, revelado pela Operação Narciso, em julho de 2005, e o esquema desvendado na operação Porto Europa

Entre as coincidências, o esquema usava uma das importadoras utilizadas pela Daslu, a By Brasil, localizada em Santos, que trabalhou para Tânia até junho de 2005, exatamente um mês antes da Narciso.

Outro elo entre os dois casos, ainda segundo o MPF, foi a participação de Francisco Pontes Carlos de Oliveira, o Kiko, que foi quem transmitiu o know-how da fraude cometida pela Daslu ao grupo empresarial Tânia Bulhões e apresentou o empresário Márcio Campos Gonçalves, dono das exportadoras All Trade Logistics e Eurosete International, localizadas em Miami, ao importador Polo, no Brasil. 

Veja a seguir as acusações que pesam contra cada réu:

Tânia Bulhões Grendene Bartelle, dona do grupo Tânia Bulhões Home quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas
Christian Polo, importadora By Brasil quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas
Fernando Souza Costa e Jorge Rodrigues Moura - importadora Socinter quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho e fraude cambial
Francisco Carlos Pontes Oliveira quadrilha organizada transnacional
Ivan Ferreira Filho, funcionário do grupo Tânia Bulhões Home quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas
Jaime Antonio Filho, Jairo Antonio e Jayme Antonio, da J.A. quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho e fraude cambial
Jonatan Schmidt e Luiz Henrique da Rocha Reis, da importadora Vila Porto quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho e fraude cambial
Magali Bertuol, funcionária do grupo Tânia Bulhões Home quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas
Kátia Bulhões Cesário da Costa, irmã e sócia de Tânia em uma de suas empresas quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas
Márcio Campos Gonçalves, das exportadoras Eurosete e AllTrade quadrilha organizada transnacional, falsidade ideológica, descaminho, fraude cambial e evasão de divisas

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