Polícia do RJ pede à Justiça apreensão de primo de Bruno; promotor considera depoimento "crível"

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Após sete horas de depoimento, terminou o interrogatório do adolescente de 17 anos que foi apreendido nesta terça-feira (6) por policiais da Divisão de Homicídios no Rio na casa do goleiro Bruno, do Flamengo. O menor, que é primo do jogador, confessou ter ajudado a sequestrar Eliza Samudio, de 25 anos, ex-namorada do goleiro e dada como desaparecida desde o início de junho. Segundo o jovem, Eliza está morta.

O delegado que ouviu o depoimento, Felipe Renato Ettore, confirmou aos jornalistas que solicitou à Vara da Infância e Juventude a apreensão do menor. Ettore disse que todas as informações serão repassadas a Minas Gerais, onde o caso é investigado.

O promotor do Rio de Janeiro Homero Neves, que acompanhou o interrogatório, disse que a versão do jovem "foi crível e razoável".

Segundo o menor, Eliza foi colocada à força dentro do carro do jogador, que era dirigido por um amigo do goleiro, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e onde o menor se escondeu. Ele disse à polícia que o sequestro aconteceu num sábado, mas não soube informar a data exata. A intenção era levar Eliza e seu filho do hotel onde estavam hospedados, na Barra da Tijuca, até o sítio do atleta, em Esmeraldas (MG).

Segundo um inspetor da polícia, o menor afirmou que após uma breve discussão no carro (cujo motivo não foi revelado pelo jovem), ele deu uma coronhada na cabeça dela. A arma teria sido fornecida por Macarrão. O adolescente afirmou que Eliza morreu, mas não soube precisar se isso ocorreu devido ao golpe com o revólver. O rapaz não incriminou o goleiro Bruno em seu depoimento.

O menor entrou em contradição diversas vezes e não soube dizer se Eliza chegou viva ou não ao sítio. A polícia mineira, responsável pelo caso, afirma que testemunhas confirmam ter visto a mulher no local.

O menor foi apreendido por policiais da Divisão de Homicídios depois que um tio dele deu uma entrevista à Rádio Tupi dizendo que ele confessara participação na suposta morte da jovem (a polícia ainda não confirma a morte e prossegue os trabalhos de busca por Eliza).

Segundo a entrevista do tio à Rádio Tupi, o jovem disse ainda que Bruno teria contratado um homem, identificado como Cleiton, por R$ 3.000 para que entregasse o corpo de Eliza a um traficante e ele sumisse com o cadáver. A informação não foi confirmada.

O menor não informou o que teria acontecido ao bebê após o sequestro de Eliza. A criança foi localizada no último dia 26 de junho, em uma favela em Contagem, na divisa com Ribeirão das Neves, em companhia de conhecidos de Bruno e de sua mulher, Dayane Fernandes. O bebê está sob guarda do avô materno.

Outro lado
O advogado que representa Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, revelou que poderá pedir a anulação do depoimento do menor. “O depoimento é nulo. Não tem declaração válida um menor prestar depoimento sem representante legal”, afirmou o advogado.

Já o advogado do goleiro Bruno, Monclar Gama, disse que a versão de que o menor era mantido em cárcere privado é fantasiosa. “O Bruno ligou para o escritório pediu que um advogado fosse até a delegacia para apurar esta história. Não tem nada de cárcere privado. O Bruno abriu as portas de sua casa para a polícia entrar. Até o momento a história é fantasiosa”, disse Monclar Gama, que não teve acesso ao depoimento do menor.

Histórico
Eliza Silva Samudio está desaparecida desde o começo de junho, quando uma testemunha disse à Polícia Civil mineira que conversou com a estudante, pelo telefone. Ela revelou a essa amiga que estava em um hotel em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A polícia diz ter uma testemunha que comprova que Eliza, o filho e Bruno estiveram juntos no sítio do goleiro do Flamengo, no condomínio Turmalina, em Esmeraldas, vizinha a Betim, no início do mês de junho.

De acordo com o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, Edson Moreira, Bruno segue como principal suspeito pelo sumiço da ex-namorada. Eliza Samudio tentava comprovar, por intermédio de ação de reconhecimento de paternidade na Justiça do Rio de Janeiro, que Bruno é o pai do seu filho, de quatro meses.

* Com informações de Daniel Millazo, no Rio de Janeiro, e do UOL Esporte

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