PM e servidores entram em confronto em SP; Judiciário paulista decide manter greve

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A assembleia desta quarta-feira (7) dos funcionários do Judiciário paulista, realizada na praça João Mendes, região central de São Paulo, foi marcada por um conflito entre policiais militares e manifestantes. Antes do início do tumulto, os servidores já haviam votado pela manutenção da paralisação, pelo menos até a próxima quarta-feira (14).

Os funcionários tentavam impedir a passagem de pessoas para dentro do Fórum João Mendes e foram reprimidos pela polícia. Segundo a Associação dos Oficiais de Justiça de SP (Aojesp), a PM chegou a usar spray de pimenta e balas de borracha para dissolver a manifestação.

A assessoria de imprensa da entidade informou que a presidente da associação, Yvone Moreira, foi levada para um hospital da região central da cidade após ser atingida no seio por um artefato. Ela também teria estilhaços de vidro nos olhos. De acordo com um porta-voz da Aojesp, no momento ela está com muitas dores e precisou ser sedada.

A PM afirma apenas que houve um início de tumulto no local, mas não confirma a utilização de artifícios para conter o protesto.

Os grevistas pedem uma reposição salarial de 20,16%, além da suspensão da Resolução 520, que permite que os dias parados sejam descontados do salário dos grevistas. A greve entra hoje em seu 71º dia.

Segundo a Aojesp, mais cedo houve uma reunião entre representantes dos servidores e dois assessores da presidência do Tribunal Judiciário de São Paulo, porém não houve qualquer negociação. A assessoria de imprensa da entidade disse ainda que os funcionários chegaram a rebaixar para algo em torno a 10% o pedido de aumento, mas ainda assim não houve acordo.

Balanço da OAB-SP
Na avaliação da OAB SP, "como a greve atinge em média 30% dos serviços forenses do Estado, já se pode estimar que cerca de 240 mil processos estariam sendo represados, 82 mil audiências não teriam sido realizadas e 192 mil sentenças não haviam sido prolatadas".

“Quem vai pagar esse prejuízo? Em 2004, quando a Justiça parou três meses, muitos escritórios fecharam porque não conseguiam mais pagar o salário do pessoal administrativo, nem arcar com as despesas ordinárias desses escritórios”, ressaltou Luiz Flávio Borges D´Urso, presidente da OAB SP.

Em entrevista ao UOL Notícias, o vice-presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, disse que a greve está prejudicando a tramitação dos processos e reiterou que o prejuízo ao andamento de alguns processos pode chegar a um ano de atraso.

“O reflexo da greve não é só durante a greve. Nós teremos muitos problemas mesmo após o término da paralisação, pois agora a agenda, que já é cheia, está totalmente desorganizada”, disse da Costa, que não deixou de frisar que a OAB-SP respeita e apoia as reivindicações dos servidores.

“Compreendemos as reivindicações, pois realmente existe uma grande defasagem nos salários. O que não apoiamos é a greve, que, na nossa opinião, é um instrumento radical que está prejudicando muitas pessoas”, afirmou.
 

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