"Rezei todos os dias para que ela aparecesse viva", diz Mizael sobre Mércia

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Vigilante preso em Sergipe nega envolvimento no caso de Mércia Nakashima

Principal suspeito pela morte da jovem Mércia Nakashima, o ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza nega ter qualquer participação no assassinato da garota. Desaparecida desde 23 de maio, Mércia foi encontrada morta no dia 11 de junho em uma represa na cidade de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo).

O relatório das ligações dos três celulares da menina apontou que a última chamada recebida no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23 de maio. O rastreamento do carro dele apontou ainda que o advogado passou pela região próxima à casa da avó de Mércia --onde ela foi vista pela última vez-- na tarde de domingo (23). Em depoimento, o advogado afirmou que passou na casa de um amigo.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, ele resume suas convicções sobre o caso:

UOL Notícias: O senhor não acha estranho o sumiço do vigilante Evandro Bezerra Silva (o vigia foi visto conversando com Mizael no dia em que a vítima desapareceu)? Qual sua relação com ele?

Mizael: Quero deixar bem claro que conheço Evandro, sempre o tive com uma pessoa honesta, mas, de maneira alguma, eu matei uma pessoa com o Evandro. Ele era segurança, já passei alguns bicos para ele, e torço para que vá à Justiça e preste seu depoimento. Com certeza, me absolverá. Claro que, para mim, é melhor que ele apareça, para afastar essa suspeita.

UOL Notícias: Qual foi sua reação ao saber da morte de Mércia? O senhor já suspeitava que ela estaria morta?

Mizael
: Uma grande tristeza, e um sofrimento que não pude sofrer, porque tenho que ficar me defendendo. Rezei todos os dias para que ela aparecesse viva.

UOL Notícias: Qual era efetivamente seu relacionamento com a Mércia? Vocês eram namorados? Ela evitava sair com o senhor ao final do relacionamento? O senhor guarda mágoas dela?

Mizael: Eu namorei 4 anos e meio com a Mércia.

UOL Notícias: É verdadeiro o e-mail divulgado pela família da Mércia em que o senhor supostamente teria dito: "Deus está no céu e tá vendo tudo o que faz e fez comigo, e certamente você acertará as contas com ele"? O que ela "fez" com o senhor? O senhor não acha que dizer que a garota "acertará as contas com ele (Deus)" passa uma conotação de ameaça?

Mizael: Depende da maldade e da má fé que cada um tiver. Aquilo foi uma força de expressão e qualquer pessoa de inteligência média interpretará de outra forma.

UOL Notícias: Como pessoa próxima de Mércia, quais são seus suspeitos para a morte da garota?

Mizael: Essas questões eu deixo com o doutor Olim (Antônio Olim, responsável pelas investigações), que, aliás, é uma pessoa honesta e até agora tem me tratado dentro da legalidade.

UOL Notícias: O senhor disse que ela (Mércia) já havia sido ameaçada por ex-clientes. Era isso mesmo? O que ela contou ao senhor sobre tais ameaças?

Mizael: Sobre isso, não quero falar para não atrapalhar as investigações.

UOL Notícias: O senhor se sente injustiçado, "julgado" antes da hora? Qual a avaliação da cobertura da imprensa sobre o caso?

Mizael: Só quero que evitem pré-julgamento. Não vivemos mais em um regime ditatorial, mas sim em um Estado de direito. A imprensa evoluiu muito no Brasil, e meu advogado e eu temos atendido a imprensa com assiduidade.

UOL Notícias: O senhor acompanhou a Copa do Mundo? Assistiu aos jogos em casa? Teve festa, como foi?

Mizael
: Minha Copa do Mundo foi preparar minha defesa. E é óbvio que não teve festa nenhuma, pois minha família esta destroçada com tudo isso.

UOL Notícias: De tempos em tempos, a família da advogada surge com informações novas sobre o caso, normalmente contra o senhor. O senhor sente que eles estão te perseguindo, tentando "forçar" seu indiciamento?

Mizael
: Sobre a família, por respeito ao imenso sofrimento deles, não emitirei conceitos.

UOL Notícias: O senhor anda armado? E quais são as armas de que o senhor dispõe?

Mizael
: Tinha duas armas que entreguei à polícia. Tinha outra registrada em meu nome que vendi para um sargento da PM em 1996. E já dei o nome dele para o delegado Olim checar.Tenho porte de arma por ser policial aposentado, posso andar armado.No momento atual não ando armado, pois as armas estão apreendidas.

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