Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Acusado de matar Eliza mentiu ao dizer que era policial, afirma inspetor

Rayder Bragon

Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

O ex-coordenador operacional do Grupo de Resposta Especial (GRE) da Polícia Civil de Minas Gerais (grupo de elite da polícia mineira) Julio César Monteiro de Castro disse nesta segunda-feira (12) que foi enganado sobre a identidade do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola ou Paulista, apontado pela polícia como quem estrangulou Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno Souza.

Em vídeo de 2008, Bola, mesmo exonerado da polícia há 16 anos, aparece treinando integrantes do GRE no sítio em Esmeraldas (MG), apontado pela polícia como o local em que Samudio foi morta. Bola também é suspeito de participar de um grupo de extermínio.

O inspetor Castro, que coordenou o GRE de março de 2007 a outubro de 2009, admitiu que Bola fez parte dos treinamentos durante oito meses, mas disse que o acusado era apenas responsável pela manutenção e pela limpeza do local --apesar de as imagens mostrarem Bola dando ordens de comando durante o treinamento.

Castro disse que foi enganado pelo inspetor da Polícia Civil Gilson da Costa --que também participava dos treinamentos-- sobre a identidade do acusado pela morte de Samudio. O ex-coordenador do GRE afirmou que se sentiu “traído” pelo colega e parou de realizar os treinamentos no sítio assim que descobriu que Bola não era policial.

No entanto, Castro disse que os treinamentos eram oficiais. “Não havia nada de ilegal, os treinamentos eram oficiais.”

Castro, que é irmão do chefe da Polícia Civil de MG, Marco Antonio Monteiro, disse ainda que o uniforme que Bola aparece utilizando nas imagens não era o oficial do GRE. “Ele nunca deu aula. E tudo levava a crer que ele era um policial.”

De acordo com reportagem do jornal “O Tempo”, de MG, o número de alunos variava entre 60 e cem, e cada um pagaria R$ 300 por três dias de curso. Os agentes recebiam um certificado validado pela Academia da Polícia Civil (Acadepol).

Crimes no sítio
Castro, que hoje atua como inspetor, afirmou que ao tomar conhecimento das suspeitas de que crimes eram cometidos no sítio protocolou uma denúncia na corregedoria da Polícia Civil em 22 de maio de 2009. A corregedoria investiga se há um esquadrão de morte dentro do GRE.

O policial afirma ainda que após protocolar a denúncia passou a receber ameaças do grupo ligado a Bola e ao suposto esquadrão da morte. “Eles me disseram: ‘se você não sair do GRE, você está morto’”, disse.

O ex-coordenador do grupo de elite da polícia mineira disse que soube da ocorrência de dois assassinatos no sítio, que teriam sido executados de modo semelhante à morte de Samudio, ou seja, com as vítimas torturadas com cães e os corpos esquartejados.

De acordo com Castro, os homicídios ocorreram no final de 2008 e tiveram a participação de Bola. O policial, contudo, não tem informações sobre as vítimas.

A reportagem do UOL Notícias entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil para apurar suposto o envolvimento de Gilson da Costa com Bola, mas ainda não obteve uma resposta.

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