Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Adolescente muda versão e diz que Bruno chegou a sítio no mesmo dia que Eliza; veja íntegra

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Em seu segundo depoimento, o adolescente J., 17, primo do goleiro Bruno e que confessou ter participado do sequestro de Eliza Samudio, 25, ex-amante do atleta, afirmou que Bruno chegou no mesmo dia em que a ex ao sítio do goleiro em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. O interrogatório traz uma versão diferente da apresentada anteriormente por J. à Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na terça-feira passada (6).

Na última quinta-feira (8), o adolescente prestou depoimento ao Ministério Público do Rio. Consta nessa segunda versão que “em certo sábado, Luis Henrique, conhecido como ‘Macarrão’, disse ao depoente que os dois iriam pegar Eliza porque ela estava ‘dando muita apurrinhação’ para o goleiro Bruno; que a ‘apurrinhação’ se devia as questões referentes ao filho que Eliza dizia ter com Bruno; que, na interpretação do depoente, o declarante e Macarrão iriam dar um susto em Eliza”.

J. conta que ele e Macarrão saíram de propriedade de Bruno numa caminhonete Land Rover e passaram num local desconhecido onde Macarrão pegou uma pistola .380 e deu ao jovem.

J. disse ainda que Bruno teria chegado no sítio em Esmeraldas de táxi um dia depois de Eliza e que o goleiro só teria ficado na propriedade por duas horas. Em seguida, Bruno teria chamado um táxi porque queria ir embora no mesmo dia para o Rio de Janeiro. Já ao Ministério Público, J. disse que Bruno chegou no sítio no mesmo dia que ele, Macarrão, Eliza e o bebê, numa segunda-feira, e o goleiro teria ficado até quarta-feira.

No depoimento, ele conta ainda como estava a ex-amante na propriedade do jogador: “Eliza não podia sair do sítio, mas não ficou confinada a algum cômodo, tendo trânsito em toda a casa, inclusive frequentando a piscina”.

Contrariando o primeiro depoimento, J. afirmou também que Dayanne, mulher de Bruno, já estava no sítio quando ele e Macarrão chegaram do Rio trazendo Eliza. Porém, o menor não disse se o casal estava presente quando Eliza foi morta.

Detalhes do assassinato
No depoimento concedido dia 8 ao MP, o menor J. contou que enquanto um homem conhecido como “Neném” dava a “gravata”, estrangulando Eliza, Macarrão amarrava as mãos da vítima. Na primeira versão contada à Polícia Civil do Rio, o menor não tinha feito referência à participação de Macarrão no local do suposto crime.

J. acredita que foi a gravata que causou a morte de Eliza: “que [o depoente] Neném puxou Eliza para trás, deitando de costas enquanto a sufocava; que acredita que foi este golpe o causador da morte de Eliza; que Neném falou para os demais saírem e aguardarem na garagem; que cerca de uma hora depois Neném retornou com um saco preto e, embora não tenha sido dito, todos presumiram que o corpo de Eliza estava esquartejado dentro do saco; que Neném levou o saco com o corpo para o canil onde estavam alguns cachorros”.

Leia abaixo a íntegra do depoimento do menor concedido ao Ministério Público do Rio:

Em 08/07/2010, na forma do disposto no art. 179 da Lei 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente, foi o(a) adolescente acima referido(a) ouvido(a) informalmente pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, através do Promotor de Justiça da Infância e da Juventude abaixo assinado, cientificado dos direitos preceituados no art. 5º, inciso LXIII da Constituição da República Federativa do Brasil, dentre eles o de permanecer calado, tendo declarado o seguinte: que possui 17 anos, (...);

que os fatos narrados no RO são parcialmente VERDADEIROS;

que, com relação aos fatos supostamente ocorridos em outubro de 2009, referentes a sequestro e tentativa de aborto praticados contra Eliza Samudio, nada pode esclarecer visto que desconhece inteiramente; que é primo do goleiro Bruno do Flamengo e passou a residir na casa dele há cerca de 2 meses;

que por esta razão não participou e nada sabe a respeito destes fatos que teriam ocorrido em outubro; que a respeito do desaparecimento de Eliza, pode relatar o seguinte; que em certo sábado Luiz henrique, conhecido como “Macarrão”, disse ao depoente que os dois iriam pegar Eliza porque ela estava “dando muita apurrinhação” para o goleiro Bruno; que a “apurrinhação” se devia as questões referentes ao filho que Eliza dizia ter com Bruno; que, na interpretação do depoente, o declarante e Macarrão iriam dar um susto em Eliza;

que sairam no automóvel Land Rover de propriedade de Bruno e passaram em um local que o depoente desconhece parar pegar uma arma, uma pistola .380; que Macarrão passou a arma ao declarante e o depoente se escondeu no porta malas do veículo; que o declarante verificou que a arma estava municiada, mas retirou o carregador da pistola;

que Macarrão conduziu o veículo até o apartamento de Eliza e chamou-a na recepção do prédio; que Eliza desceu com o filho no colo e ingressou no banco de trás da pick-up; que estavam portanto apenas Macarrão ao volante, Eliza e o filho no banco de trás, e o depoente escondido no porta-malas;

que por se tratar de uma pick-up, o porta-malas se comunica com a cabine de passageiros, razão pela qual o depoente surpreendeu Eliza saindo de dentro do compartimento; que apontou a arma para Eliza e lhe disse “perdeu”; que, em um primeiro momento, Eliza tentou sair do carro mas não conseguiu porque estava em movimento; que, em seguida Eliza se atracou com o declarante e , dando um tapa na pistola, desarmou o depoente; que a arma caiu no chão do veículo e Eliza a pegou;

que Eliza chegou a apertar o gatilho contra o depoente mas, não houve resultado porque o carregador havia sido retirado; que o declarante retomou a arma das mãos de Eliza e deu-lhe 3 coronhadas no alto da cabeça; que a vítima sangrou, mas não perdeu os sentidos; que levaram Eliza para a casa de Bruno no Recreio dos Bandeirantes e lá permaneceram por dois dias; queBruno não esteve na casa neste período visto que estava concentrado com o time do Flamengo para um jogo de futebol;

que após dois dias, ou seja, na segunda-feira, seguiram o declarante, Macarrão, Eliza e a criança para o sítio de Bruno em Minas Gerais; que fizeram a viagem sem paradas pois o tanque estava cheio e levaram lanches; que chegaram ainda de manhã e pouco depois também apareceu o primo do declarante de nome Sérgio; que neste mesmo dia à tarde chegou Bruno;

que a mulher de Bruno, Daiane, já estava no sítio quando chegaram; que ficaram no sítio até quarta-feira; que Sérgio cuidou do ferimento na cabeça de Eliza; que Eliza não podia sair do sítio, mas não ficou confinada a algum cômodo, tendo trânsito em toda a casa, inclusive frequentando a piscina; que na quarta-feira sairam do sítio de Bruno e foram para uma casa na direção do aeroporto de Confins;

que Macarrão disse a Eliza que estavam arrumando um apartamento em Belo Horizonte para ela morar e que ela passaria apenas um noite nesta casa no caminho do aeroporto até que pudesse se mudar para o dito apartamento; que no veículo foram o depoente, Macarrão, Sérgio, Eliza e o filho dela; que Macarrão se comunicou pelo celular com uma pessoa cujo apelido é “Neném” para saber a exata localização da casa; que Neném, dono da casa já os esperava com o portão aberto;

que entraram e Neném se apresentou como policial e começou a interrogar Eliza sobre eventual uso de drogas; que Neném chegou a mostrar uma carteira de policial civil que o declarante acredita ser verdadeira pois soube que Neném tinha sido de fato policial civil; que já durante o interrogatório que Neném fazia, ele agarrou Eliza por trás, aplicando-lhe um golpe conhecido como “gravata” no pescoço;

que enquanto isso Macarrão amarrou as mãos de Eliza para a frente; que Neném puxou Eliza para trás, deitando de costas enquanto a sufocava; que acredita que foi este golpe o causador da morte de Eliza; que Neném falou para os demais sairem e aguardarem na garagem; que cerca de uma hora depois Neném retornou com um saco preto e , embora não tenha sido dito, todos presumiram que o corpo de Eliza estava esquartejado dentro do saco;

que Neném levou o saco com o corpo para o canil onde estavam alguns cachorros; que o depoente chegou a ver Neném jogando a mão cortada aos cães mas, diante da mórbida cena, o depoente, Macarrão e Sérgio preferiram sair do local; que pegaram o carro e retornaram ao sítio de Bruno; que, no dia seguinte pela manhã, Macarrão ligou para Neném para saber do desfecho;

que Neném esclareceu que os cães não teriam comido toda a carne, razão pela qual alguns restos mortais tiveram de ser colocados em uma sapata que estava em construção; que após teria sido jogado concreto por cima; que o depoente posteriormente foi a polícia contar os fatos, inclusive tendo, na companhia dos policiais, identificado a casa de Neném, onde houve o homicídio;

que não pode apontar o local onde os restos mortais de Eliza teriam sido concretados por desconhecê-lo; que já havia contado todos os fatos para seu tio pois não estava aguentando guardar este segredo macabro; que seu tio foi quem informou a polícia; que ainda estava residindo na casa de Bruno, no Recreio quando foi apreendido pela polícia; que não usa drogas; que não está estudando, havendo parado há cerca de 3 anos, cursando a época a 5 ª série; que não trabalha; que esta é a sua PRIMEIRA passagem neste Juizado.

Nada mais havendo encerro o presente.

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