Advogado diz que é "zero" a chance de Mizael se entregar; habeas corpus será pedido hoje

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Cristiano Novaes/AE

    À polícia, Evandro (esq.) afirmou que pegou Mizael na cena do crime com "uma arma na mão". Ele teria ouvido do ex-namorado da advogada: "já era, já era"

    À polícia, Evandro (esq.) afirmou que pegou Mizael na cena do crime com "uma arma na mão". Ele teria ouvido do ex-namorado da advogada: "já era, já era"

Samir Haddad Junior, advogado do policial aposentado Mizael Bispo de Souza, principal suspeito pela morte da advogada Mércia Nakashima, disse que é “zero” a chance de seu cliente se entregar. “Ele não vai se submeter a uma prisão ilegal”, diz Junior.

Alvo de um pedido de prisão temporária decretado pela Justiça de São Paulo no sábado (10), Mizael é tido como suspeito número 1 pelas autoridades policiais que investigam o caso e, ainda nesta semana, será indiciado por homicídio qualificado, como promete o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Hoje, Samir diz que irá se antecipar e protocolar um pedido de habeas corpus para Mizael. “Quantas pessoas foram presas e, depois de anos de cadeia, descobriu-se que eram inocentes? É o caso do Mizael. Vou tomar todas as atitudes para que ele não seja prejudicado por essa investigação desastrosa”, alegou.

As críticas do advogado sobre os delegados responsáveis pelo caso estão centradas no depoimento que deu origem ao pedido de prisão temporária do policial aposentado: a versão do crime apresentada pelo vigilante Evandro Bezerra Silva.

Preso na última sexta-feira (9) em Sergipe, Silva teve intensa comunicação com Mizael antes do crime, como apontam rastreamentos telefônicos, e teria sido o braço direito do policial aposentado na execução de Mércia. Ao ser preso no Nordeste, no entanto, ele negou qualquer participação no episódio.

Já em São Paulo, alterou suas declarações e mudou de discurso. Disse que foi, sim, orientado a buscar Mizael na represa, após o assassinato da advogada. Também contou que, na ocasião, viu Mizael chegar com uma arma na mão e contar: “já era, já era”.

Esse desencontro de versões, segundo o advogado de Mizael, é suspeito e indica que houve tortura psicológica e física para que Silva incriminasse o policial aposentado. “Nesse mundo da investigação policial, só tem rato, malandro. Não concordo com uma polícia que tortura, coage. E o advogado do Evandro me confirmou que teve tortura”, afirmou.

Segundo Junior, a presença de um advogado membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) durante o depoimento não exclui a possibilidade de abusos policiais no depoimento. “Era um cara (advogado) da OAB de Guarulhos, que dá todo apoio para a acusação. Não tinha o advogado do próprio Evandro ali”, acusa o defensor de Mizael.

O crime, segundo a versão da polícia

Segundo o delegado Antonio Olim, responsável pelo caso no DHPP de São Paulo, são falsas as insinuações de que Silva teria mudado o discurso após ter sido coagido. Como ele explicou em coletiva de imprensa realizada ontem, chegando à capital paulista, ao ser exposto a tantos detalhes da investigação o contradizendo (inclusive com mapas e dados oficiais), Silva foi obrigado a abrir o jogo e a mostrar uma nova versão dos fatos - mais realista, segundo os delegados, mas não necessariamente totalmente verdadeira.

Procurado pela reportagem, o advogado de Silva não foi encontrado para comentar o caso.

Histórico
A advogada Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio. Ela foi vista pela última vez ao deixar a casa da avó, em Guarulhos (SP). O corpo da advogada foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, cidade do interior de SP, em 11 de junho.

Segundo a polícia, relatório das ligações dos celulares da vítima aponta que a última ligação recebida por ela no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23. Além disso, a polícia também afirma que o GPS (localizador via satélite) do carro de Mizael mostrou que ele passou pelo local onde Mércia foi vista pela última vez.

O ex-namorado dela nega qualquer envolvimento no caso e diz que passou a tarde do dia 23 de maio com uma garota de programa.

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