Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Justiça decreta internação de menor envolvido no caso Bruno por 45 dias

Rayder Bragon*
Especial para o UOL Notícias

Em Contagem (MG)

A Vara da Infância e Juventude de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, decretou na noite desta terça-feira (13) a internação de 45 dias do adolescente J., primo do goleiro Bruno que estaria envolvido no desaparecimento e na morte da ex-namorada do atleta, Eliza Samudio.

Em novo depoimento, menor diz que Bruno não estava presente no momento da morte de Eliza

De acordo com informações do promotor de Justiça Leonardo Barreto Moreira Alves, o menor ficará à disposição da Justiça enquanto aguarda a conclusão de um processo aberto no juizado, que vai correr paralelamente à investigação da polícia sobre Eliza. O processo foi entregue ao defensor do jovem, o advogado José Roberto Cordoval Júnior, que tem três dias para apresentar a defesa do menor.

O adolescente é acusado, segundo representação do Ministério Público de Minas, de ter participado do homícido e do sequestro de Eliza, além de participação na ocultação do cadáver. Se no final do processso o menor for considerado culpado, o juiz responsável aplicará medidas socioeducativas cabíveis.

O adolescente deixou o Centro de Triagem no Rio de Janeiro na tarde desta terça e foi escoltado por policiais até Minas Gerais. Ele foi ouvido em Minas pelo juiz Elias Charbil Abdou Obeid, pelo promotor de Justiça Leonardo Barreto Moreira Alves e por um assistente social, que vai elaborar estudo psicossocial e emitir um laudo técnico sobre sua situação.

O menor deixou o local por volta das 20h15 e permanecerá no Centro de Internação Provisória, no bairro do Horto, na região leste de Belo Horizonte. Cerca de cem pessoas, entre curiosos e jornalistas, aguardavam o final do depoimento.

A transferência do menor para Minas foi autorizada ontem, pela 2ª Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro. A polícia quer a acareação entre ele e outro primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, para confrontar as versões apresentadas pelos dois suspeitos no caso.

Segundo o advogado do menor, "ele estava muito cansado e abatido com todas essas indas e vindas".

Adolescente mudou versão no Rio
Ontem, em seu segundo depoimento, o adolescente J. afirmou que Bruno chegou no mesmo dia em que a ex ao sítio do goleiro em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. O interrogatório traz uma versão diferente da apresentada anteriormente por J. à Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na terça-feira passada (6).

Na última quinta-feira (8), o adolescente prestou depoimento ao Ministério Público do Rio. Consta nessa segunda versão que “em certo sábado, Luis Henrique, conhecido como ‘Macarrão’, disse ao depoente que os dois iriam pegar Eliza porque ela estava ‘dando muita apurrinhação’ para o goleiro Bruno; que a ‘apurrinhação’ se devia as questões referentes ao filho que Eliza dizia ter com Bruno; que, na interpretação do depoente, o declarante e Macarrão iriam dar um susto em Eliza”.

J. conta que ele e Macarrão saíram de propriedade de Bruno numa caminhonete Land Rover e passaram num local desconhecido onde Macarrão pegou uma pistola .380 e deu ao jovem.

J. disse ainda que Bruno teria chegado no sítio em Esmeraldas de táxi um dia depois de Eliza e que o goleiro só teria ficado na propriedade por duas horas. Em seguida, Bruno teria chamado um táxi porque queria ir embora no mesmo dia para o Rio de Janeiro. Já ao Ministério Público, J. disse que Bruno chegou no sítio no mesmo dia que ele, Macarrão, Eliza e o bebê, numa segunda-feira, e o goleiro teria ficado até quarta-feira.

No depoimento, ele conta ainda como estava a ex-amante na propriedade do jogador: “Eliza não podia sair do sítio, mas não ficou confinada a algum cômodo, tendo trânsito em toda a casa, inclusive frequentando a piscina”.

Contrariando o primeiro depoimento, J. afirmou também que Dayanne, mulher de Bruno, já estava no sítio quando ele e Macarrão chegaram do Rio trazendo Eliza. Porém, o menor não disse se o casal estava presente quando Eliza foi morta.

Detalhes do assassinato
No depoimento concedido dia 8 ao MP, o menor J. contou que enquanto um homem conhecido como “Neném” dava a “gravata”, estrangulando Eliza, Macarrão amarrava as mãos da vítima. Na primeira versão contada à Polícia Civil do Rio, o menor não tinha feito referência à participação de Macarrão no local do suposto crime.

J. acredita que foi a gravata que causou a morte de Eliza: “que [o depoente] Neném puxou Eliza para trás, deitando de costas enquanto a sufocava; que acredita que foi este golpe o causador da morte de Eliza; que Neném falou para os demais saírem e aguardarem na garagem; que cerca de uma hora depois Neném retornou com um saco preto e, embora não tenha sido dito, todos presumiram que o corpo de Eliza estava esquartejado dentro do saco; que Neném levou o saco com o corpo para o canil onde estavam alguns cachorros”.

*Com informações de Daniel Milazzo, no Rio de Janeiro

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