Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Convidado pela defesa de Bruno, legista Sanguinetti se diz indeciso, mas já se prepara para o caso

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias

Em Maceió

Depois de causar polêmica ao contestar a perícia oficial da investigação da morte da menina Isabella Nardoni, o médico-legista George Sanguinetti pode voltar ao noticiário com suas investigações, agora no caso que envolve o goleiro Bruno.

Sanguinetti afirmou que manteve contato com o advogado de defesa do goleiro, Ércio Quaresma, que o teria convidado a realizar uma investigação paralela sobre a morte da ex-amante do atleta, Eliza Samudio.

Em entrevista a o UOL Notícias, o médico disse que ainda não decidiu sobre sua participação, mas prometeu dar uma resposta até a próxima quinta-feira (15). Entretanto, ele adiantou que já começou a estudar o caso.

“Não há nada certo ainda, porque o próprio advogado falou que precisava do consentimento do Bruno, mas realmente houve esse convite e estou pensando. Mas já estou me preparando, analisando todos os detalhes que tenho acesso do caso”, afirmou, alegando que, assim como no caso Isabella, “há um pré-julgamento muito forte”.

Embora ainda esteja distante do caso, Sanguinetti acredita que algumas dúvidas podem ser solucionadas com uma perícia criminal. “O menor J. disse que, quando ia do Rio de Janeiro a Belo Horizonte, deu três golpes na cabeça da vítima. Mas ela ficou três dias em cárcere privado; é preciso verificar onde ela lavou o rosto, onde ela tomou banho para ver se há vestígios de sangue”, afirmou.

Primo de Bruno participa de buscas no sítio do goleiro

Equipes da Polícia Civil de Minas Gerais realizaram novas buscas ao corpo da ex-amante do goleiro Bruno de Souza, Eliza Samudio, no sítio localizado no condomínio Turmalina, em Esmeraldas (região metropolitana de Belo Horizonte), ontem (13). As buscas só terminaram na madrugada desta quarta-feira (14). Fontes ligadas à investigação afirmaram que Sérgio Rosa Sales Camelo, primo de Bruno que também está preso por suposto envolvimento no crime, acompanhou a polícia ao local, onde foi usado luminol na tentativa de se encontrar vestígios. Entretanto, oficialmente, a polícia não informou se algo foi achado e se a investigação avançou.

Sanguinetti diz que vê com cautela o fato da polícia não ter encontrado ainda os restos mortais de Eliza. “Segundo a versão apresentada pelo menor, Eliza teria sido estrangulada pelo ex-policial [Marcos Aparecido dos Santos] e jogada para os cães, sendo que os restos que os animais não comeram, ou seja, o esqueleto, teria sido concretado no sítio onde ela teria sido morta. No cachorro, a digestão realmente é rápida, com 24 horas está eliminada. Só que você tem detalhes aí, como as unhas, o cabelo dos acusados, tem a terra, o local onde dizem que ela foi morta. E já houve muitas buscas, durante um bom tempo, e nada foi encontrado até momento”, alegou.

Segundo Sanguinetti, um dos motivos que pesa na sua definição de entrar no caso é o posicionamento contrário de seus familiares. “A minha família está fazendo resistência. Eles sabem que se for entrar no caso, vou para trabalhar, me dedicar”, disse.

Sanguinetti ainda fez críticas à forma como o goleiro e os demais acusados foram tratados em Minas Gerais. “Como é que, em uma fase de inquérito policial, você coloca roupa de presidiário? Ele está em processo de detenção, não de condenação. E aquela roupa de condenado. Há muitas pessoas sendo acusadas, não há apontamentos claros das culpas, e é preciso moderação nesse momento”, afirmou.

Caso Isabella
Segundo o médico-legista, por conta de uma determinação judicial, o livro em que aponta supostas contradições no laudo sobre a morte de Isabella Nardoni vai demorar um pouco a ser publicado.

“Estou obedecendo a uma decisão judicial, e agora o livro não terá mais o nome da menina; terá como título ‘A condenação do casal Nardoni: erros e contradições judiciais’”, explicou, sem dar prazo para publicação.

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