Comandante da PM é afastado após morte de aluno por bala perdida no RJ

Arthur Guimarães*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O governo do Estado do Rio de Janeiro confirmou no final da tarde desta sexta-feira (16) o afastamento do responsável pelo 9º BPM (Rocha Miranda), coronel Fernando Príncipe, responsável pelas equipes envolvidas na operação policial desencadeada na manhã de hoje no Complexo da Pedreira, zona norte da capital.

A ação terminou com a morte de Wesley Rodrigues de Oliveira, 11. O garoto foi atingido no peito por uma bala perdida por volta de 8h30, enquanto assistia a uma aula no Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Rubens Gomes, no bairro de Barros Filho.

Ele foi socorrido e encaminhado para o hospital estadual Carlos Chagas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ele já estava morto quando chegou ao local. Professores da escola acompanhavam o aluno.

O comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, foi quem tomou a decisão de substituir o colega. Um dos objetivos da mudança, segundo a PM, é "garantir total isenção e rigor na apuração dos motivos da operação, bem como do procedimento adotado, que resultou na perda irreparável para uma família". Entra no lugar de Príncipe o tenente-coronel Luiz Carlos Leal.

Medo
Os moradores da região estão apreensivos com a situação no bairro. Depois do incidente, as ruas da região, que é palco de disputa de facções rivais, ficaram vazias. Durante a tarde, cerca de 50 moradores queimaram pneus na rua João Paulo, em protesto contra a morte do menino.

Policiais da Divisão de Homicídios foram até a escola para uma perícia. Eles investigam as circunstâncias em que o estudante faleceu e de onde partiu o disparo.

Segundo o major Maicon, havia 120 policiais militares participando da operação de combate ao tráfico de drogas na favela da Lagartixa e houve intensa troca de tiros. Seis traficantes saíram feridos e quatro foram presos. Foram apreendidas oito motos, nove máquinas caça-niquel, drogas e seis armas --entre elas duas metralhadoras.

“Essa troca de tiros, tem direto. Sempre acaba pegando um inocente”, diz Edivaldo de Oliveira, 46, tio de três jovens que estudam no mesmo Ciep onde Wesley foi morto.

Em nota, a secretaria municipal de Educação lamentou o ocorrido e informou que as aulas do Ciep foram suspensas nesta sexta-feira. Na próxima segunda-feira (19), uma equipe do Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais (Proinape) irá à unidade para conversar com as crianças e os professores.

A secretaria de Saúde afirmou que outros cinco homens, sem identificação, com idades aparentemente entre 20 e 30 anos, também deram entrada no hospital Carlos Chagas vindos da mesma área.

 * Com informações de Daniel Milazzo, especial para o UOL Notícias no Rio de Janeiro

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