Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Delegado diz que não vai investigar carta anônima do caso Bruno

Do UOL Notícias

Em São Paulo

O delegado Edson Moreira, que conduz as investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, informou nesta sexta-feira (16) que não vai incluir no inquérito uma carta anônima enviada à TV Record que relata um suposto assassino da ex-namorada do goleiro Bruno.

Uma pessoa que não se identificou enviou uma carta à TV Record de Belo Horizonte em que afirma ter presenciado agressões contra Eliza. Na carta, de cinco páginas, a autora diz que tem medo de procurar a polícia e chegou a agendar uma entrevista com a emissora, mas não compareceu.

Segundo o delegado, a informação não será utilizada por ser anônima e ir contra toda a linha de investigação feita até o momento. A pessoa cita um ex-policial de nome Emerson, que teria sido quem executou Eliza. Para a polícia, quem estrangulou a vítima foi Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que está preso.

Depoimentos
A mulher do goleiro Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, decidiu ficar em silêncio nesta sexta-feira (16) durante interrogatório do Departamento de Investigações em Belo Horizonte (MG), informou seu advogado Frederico Franco. Ela está presa por suspeita de envolvimento no caso do desaparecimento de Eliza Samudio.

Dayanne chegou por volta das 8h30 desta sexta ao DI e já voltou ao presídio feminino Estevão Pinto, onde está presa desde a semana passada. Deve ser ouvido agora Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, que chegou ao departamento às 12h40, com aparência confiante.

TV divulga carta em que suposta testemunha diz como Eliza foi agredida

Uma pessoa que não se identificou enviou uma carta à TV Record de Belo Horizonte em que afirma ter presenciado agressões contra Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, no sítio do jogador em Esmeraldas (MG)

Também nesta sexta, a Polícia Civil do Rio de Janeiro adiou o depoimento de duas supostas amantes do goleiro, que estava previsto para ocorrer na Polinter do Andaraí (zona norte do Rio), Fernanda Gomes Castro e Ingrid Oliveira.

A diretora da Polinter, Roberta Carvalho, afirmou que os advogados de ambas ligaram hoje de manhã para ela pedindo para a polícia remarcar a data dos depoimentos. “[Os advogados alegaram que] estava muito em cima da hora, que a intimação foi feita ontem e que estava muito próximo da data. Agora vamos aguardar instruções da Polícia de Minas, já que estamos apenas em colaboração para que essa nova data da oitiva de Ingrid e de Fernanda seja remarcada”, disse.

Ainda segundo Carvalho, os depoimentos devem ocorrer na próxima semana, e as mulheres devem falar na condição de testemunhas. “Se a Polícia de Minas autorizar, [elas devem falar] a partir de semana que vem”, disse.

Fernanda, que tem sido chamada de 'a amante loura do goleiro', foi citada em depoimento do menor J., 17, que está internado em MG acusado de envolvimento no desaparecimento de Eliza. Ele é considerado peça-chave na trama.

A loura teria ajudado no suposto sequestro de Eliza, ainda no Rio de Janeiro, e também a esconder o bebê que a modelo queria provar que era de Bruno. Há registro de que o carro de Fernanda, um Gol vermelho, deu entrada pelo menos duas vezes no condomínio do Recreio dos Bandeirantes, onde Bruno tem uma casa, entre os dias 4 e 5 de junho, período que Eliza já estaria desaparecida.

Além de Fernanda, Bruno teria se envolvido ainda com a dentista Ingrid Oliveira, que também está sendo investigada. A polícia quer saber se foi ela quem ajudou o goleiro a se esconder até que ele se entregasse à polícia.
 

Habeas corpus
O advogado Frederico Franco, um dos que atuam na defesa do goleiro Bruno, disse hoje que vai recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) assim que for publicada no Diário Oficial de Minas Gerais a decisão do desembargador Doorgal Andrade, que negou no final da noite desta quinta-feira (15) o pedido de habeas corpus ao jogador. “Sem sombra de dúvida, isso será objeto de recurso no STJ”, disse Franco, que faz parte da equipe de Ércio Quaresma, principal advogado do caso.

O habeas corpus, protocolado ontem pelos advogados Ércio Quaresma Firpe e Claudineia Carla Calabund, se estenderia a Bruno, sua mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Elenilson Vitor da Silva, Wemerson de Souza (o Coxinha), Flavio Caetano de Araújo, Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão), e ao primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales Camelo. Com a decisão, todos os acusados permanecem presos. O mérito do habeas corpus ainda será julgado pelos integrantes da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

Para o advogado Frederico Franco, a prisão foi feita de forma “ilegal”. “A prisão, do nosso ponto de vista, é ilegal, porque ela não se encontra baseada nos requisitos que permitem a prisão temporária. O nosso cliente (Bruno Souza) é réu primário, tem bons antecedentes, tem residência fixa”, disse.

Sobre o inquérito feito pela Polícia Civil de Minas Gerais, Franco disse que as provas contras os acusados até o momento são “frágeis”. “Só há conjecturas, ilações, divagações. Provas contra o nosso cliente, a quem estão imputando esse crime, não há”, afirmou.

A reportagem do UOL Notícias tentou entrar em contato com o advogado Ércio Quaresma, mas como vem ocorrendo há dias, o celular dele permanece desligado.

 

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