Caso Eliza Samudio

Depoimentos de supostas amantes do goleiro Bruno são adiados no Rio

Daniel Milazzo

Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro adiou o depoimento de duas supostas amantes do goleiro Bruno, que estava previsto para ocorrer na manhã desta sexta-feira (16) na Polinter do Andaraí (zona norte do Rio). Fernanda Gomes Castro e Ingrid Oliveira, mulheres que supostamente têm envolvimento com o goleiro, foram intimadas a prestar depoimento após pedido que teria partido da polícia mineira, que coordena as investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do atleta.

A diretora da Polinter, Roberta Carvalho, afirmou que os advogados de ambas ligaram hoje de manhã para ela pedindo para a polícia remarcar a data dos depoimentos. “[Os advogados alegaram que] estava muito em cima da hora, que a intimação foi feita ontem e que estava muito próximo da data. Agora vamos aguardar instruções da Polícia de Minas, já que estamos apenas em colaboração para que essa nova data da oitiva de Ingrid e de Fernanda seja remarcada”, disse.

Ainda segundo Carvalho, os depoimentos devem ocorrer na próxima semana, e as mulheres devem falar na condição de testemunhas. “Se a Polícia de Minas autorizar, [elas devem falar] a partir de semana que vem”, disse.

Fernanda, que tem sido chamada de 'a amante loura do goleiro', foi citada em depoimento do menor J., 17, que está internado em MG acusado de envolvimento no desaparecimento de Eliza. Ele é considerado peça-chave na trama.

A loura teria ajudado no suposto sequestro de Eliza, ainda no Rio de Janeiro, e também a esconder o bebê que a modelo queria provar que era de Bruno. Há registro de que o carro de Fernanda, um Gol vermelho, deu entrada pelo menos duas vezes no condomínio do Recreio dos Bandeirantes, onde Bruno tem uma casa, entre os dias 4 e 5 de junho, período que Eliza já estaria desaparecida.

Além de Fernanda, Bruno teria se envolvido ainda com a dentista Ingrid Oliveira, que também está sendo investigada. A polícia quer saber se foi ela quem ajudou o goleiro a se esconder até que ele se entregasse à polícia. 

Depoimento de Dayanne
O goleiro, que está com o contrato suspenso com o Flamengo, é casado com Dayanne de Souza, que assim como ele, está presa em Minas Gerais por suspeita de envolvimento no caso. 

Dayanne chegou por volta das 8h30 desta sexta ao Departamento de Investigações, em Belo Horizonte, para prestar depoimento. Ela está detida no presídio feminino Estevão Pinto desde a semana passada.

Habeas corpus
O advogado Frederico Franco, um dos que atuam na defesa do goleiro Bruno, disse hoje que vai recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) assim que for publicada no Diário Oficial de Minas Gerais a decisão do desembargador Doorgal Andrade, que negou no final da noite desta quinta-feira (15) o pedido de habeas corpus ao jogador. “Sem sombra de dúvida, isso será objeto de recurso no STJ”, disse Franco, que faz parte da equipe de Ércio Quaresma, principal advogado do caso.

O habeas corpus, protocolado ontem pelos advogados Ércio Quaresma Firpe e Claudineia Carla Calabund, se estenderia a Bruno, sua mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Elenilson Vitor da Silva, Wemerson de Souza (o Coxinha), Flavio Caetano de Araújo, Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão), e ao primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales Camelo. Com a decisão, todos os acusados permanecem presos. O mérito do habeas corpus ainda será julgado pelos integrantes da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

Para o advogado Frederico Franco, a prisão foi feita de forma “ilegal”. “A prisão, do nosso ponto de vista, é ilegal, porque ela não se encontra baseada nos requisitos que permitem a prisão temporária. O nosso cliente (Bruno Souza) é réu primário, tem bons antecedentes, tem residência fixa”, disse.

Sobre o inquérito feito pela Polícia Civil de Minas Gerais, Franco disse que as provas contras os acusados até o momento são “frágeis”. “Só há conjecturas, ilações, divagações. Provas contra o nosso cliente, a quem estão imputando esse crime, não há”, afirmou.

A reportagem do UOL Notícias tentou entrar em contato com o advogado Ércio Quaresma, mas como vem ocorrendo há dias, o celular dele permanece desligado.

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