Polícia de SE lamenta acusação e sustenta que não torturou suspeito de participar da morte de Mércia

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O delegado Antonio Francisco de Oliveira Filho, responsável pela prisão do vigia Evandro Bezerra da Silva em Sergipe no último dia 9, negou na tarde desta segunda-feira (19) que tenha torturado ou presenciado qualquer abuso contra o preso, peça-chave nas investigações sobre o assassinato da advogada Mércia Nakashima, 28 anos.

Nas semanas que antecederam o sumiço da advogada, Evandro, segundo a polícia paulista, teve intensa comunicação via celular com Mizael Bisto de Souza, policial reformado que era ex-namorado da jovem e tido como suspeito número 1 pela morte.

Como vem alegando por meio de seu advogado, e como informou em carta publicada hoje em reportagem do portal G1, ele teria sido coagido para mudar sua versão original do crime. Colhido em Canindé de São Francisco, o primeiro depoimento de Evandro registra que ele afasta qualquer hipótese de participação no homicídio de Mércia.

Horas depois, já na sede do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), em Aracaju, o rapaz mudou o discurso e afirmou às autoridades policiais - entre elas o delegado Antonio de Olim, que viajou de São Paulo para resgatá-lo - que, no dia do assassinato, foi orientado a pegar o ex-namorado de Mércia na represa em Nazaré Paulista, onde o corpo dela foi encontrado. Em seu depoimento, Silva disse ter visto Mizael com uma arma na mão, comemorando o assassinato ao dizer "já era, já era."

Segundo Evandro, todas as acusações contra o policial foram dadas após uma série de tortura, inclusive com tentativas de asfixia com saco plástico. O delegado que responde pela ação policial sergipana no episódio nega. "Ele passou em exames de corpo de delito e ninguém identificou nada? Ele pode falar o que quiser, mas aqui ele não sofreu nenhuma agressão. É retórica padrão de bandidos que, quando as teses da defesa vão caindo, apela para essa história de tortura", argumentou.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) faz coro ao delegado. O órgão afirma que não haveria tempo para qualquer sessão de tortura e sustenta que a mudança de versão do vigia aconteceu durante o dia, entre sua prisão no interior (às 5h) e o seu depoimento final em Aracaju (por volta das 16h). Evandro diz ter sido coagido à noite.

Em nota divulgada hoje, a SSP/SE afirmou que "todo o interrogatório foi acompanhado por delegados, escrivães e agentes da Polícia Civil de Sergipe" e que "lamenta que tal atitude de Evandro, evidentemente orientado por sua defesa, no sentido de prejudicar as boas investigações que vem sendo realizadas, venha macular a imagem da Instituição."

"Jus esperniandi"
Já em São Paulo, Evandro foi ouvido novamente pelo delegado Olim, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Na ocasião, o depoimento teve acompanhamento de um representante da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). Segundo ele, que pede para não ter o nome divulgado, toda conversa aconteceu de forma natural. "O delegado perguntou se ele queria falar mais alguma coisa. E ele, de forma espontânea, disse que sim. Reafirmou o que disse no Nordeste e acrescentou outras informações", conta o advogado que viu o interrogatório.

Segundo ele, não existiu nenhuma ameaça. "É o chamado 'Jus esperniandi'. Quando não há mais para onde correr, inventam essa de que a pessoa foi coagida. Não faz sentido nenhum e eu não iria me prestar ao papel de ver uma tortura e não falar nada", diz o representante da OAB.

Como Olim explicou em uma coletiva na semana passada, são falsas as insinuações de que Evandro teria mudado seu depoimento após ter sido coagido. Como ele disse, realmente o vigia afirmou sua inocência em depoimento informal aos policiais em Sergipe, no entanto, mais tarde, ao ser exposto a "tantos detalhes" da investigação o contradizendo (inclusive com mapas), Evandro foi obrigado a mostrar uma nova versão dos fatos.

O advogado de Evandro, procurado pela reportagem, não retornou para comentar o caso.

Histórico
Mizael e Evandro foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e, pelas informações do Ministério Público, deverão ser denunciados pelos mesmos crimes. A advogada Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio. Ela foi vista pela última vez ao deixar a casa da avó, em Guarulhos (SP).

O corpo de Mércia foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, cidade do interior de SP, em 11 de junho.

Segundo a polícia, relatório das ligações dos celulares da advogada aponta que a última ligação recebida por ela no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23. Além disso, a polícia também afirma que o GPS (localizador via satélite) do carro de Mizael mostrou que ele passou pelo local onde Mércia foi vista pela última vez.

O ex-namorado dela nega qualquer envolvimento no caso e diz que passou a tarde do dia 23 de maio com uma garota de programa.

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