Mizael não foi "monge tibetano" em depoimento sobre morte de Mércia, diz advogado

Arthur Guimarães

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Principal suspeito pela morte da advogada Mércia Nakashima, o policial reformado e ex-namorado Mizael Bispo de Souza, ficou nervoso, segundo seu advogado, durante interrogatório nesta terça-feira (20) no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), no centro da capital paulista, mas respondeu a todas as perguntas da polícia sobre o crime.

Mizael, que chegou ao departamento por volta das 11h sob gritos de “assassino e covarde”, prestou depoimento durante duas horas e deixou o local escoltado sem falar com a imprensa.

Segundo seu advogado, Samir Haddad Junior, Mizael não se recusou a cooperar, mas deixou clara sua insatisfação com a repetição de questões pela polícia e Promotoria. “Ele estava tenso pelo próprio crime em si. Ele não vai ser um monge tibetano e não se abalar. Foi perguntado de maneira ríspida e respondeu de forma ríspida”, afirmou o defensor. “[O delegado] perguntou tudo e ele respondeu tudo.”

Os atritos teriam ocorrido, conforme o defensor, após o delegado responsável pelo caso, Antônio de Olim, ter insistido em obter detalhes sobre a relação do policial aposentado com o vigia Evandro Bezerra, suspeito de ter sido comparsa no crime.

Mizael também foi diversas vezes confrontado com informações obtidas no rastreador de seu carro e na quebra do seu sigilo telefônico, mas manteve sua versão. “Mizael ainda pediu que fosse feita uma perícia no seu rastreador”, completou o advogado.

Mizael e vigia prestam depoimento

Apresentação espontânea
Haddad Junior havia confirmado que seu cliente se apresentaria pela quarta vez nesta terça (20) para prestar depoimento. A convocação não foi formal. Segundo Haddad, não houve necessidade de intimação policial. "Um escrivão me ligou e pediu para a gente ir até lá. Vamos fazer isso, mais uma vez mostrando que o Mizael não se recusa a prestar informações", disse o advogado.

Ao chegar à sede do DHPP, Mizael estacionou seu veículo em um estacionamento próximo e atravessou a rua sorrindo das palavras de reprovação de cerca de 20 curiosos. “Estou tranquilo”, afirmou.

Acompanhou o interrogatório o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes, que assumirá o caso ao final do inquérito. O representante do Ministério Público já anunciou que apresentará denúncia contra Mizael no início de agosto, juntamente com o vigia Evandro Bezerra da Silva, suspeito de ser cúmplice no crime. Na ocasião, será pedida nova prisão preventiva de ambos.

Na quarta-feira passada (14), a Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva contra Mizael. Além disso, o TJ decidiu pela não manutenção da prisão temporária que havia sido decretada no último sábado (10) por um juiz de plantão. Ou seja, Mizael deixou de ser considerado foragido após quatro dias.

O pedido de prisão temporária do policial aposentado aconteceu depois da prisão do vigia Evandro Bezerra da Silva, detido em Sergipe e trazido para São Paulo. Ele afirmou às autoridades policiais que, no dia do homicídio, foi orientado a pegar o ex-namorado de Mércia em uma represa em Nazaré Paulista, onde o corpo dela foi encontrado.

O delegado Olim descartou a necessidade de acareação entre Mizael e o vigia.

Em seu depoimento, Silva disse ter visto Mizael com uma arma na mão na cena do crime e afirmou que ouviu o colega comemorar o assassinato, dizendo "já era, já era." Ontem, no entanto, ele apresentou uma nova versão sobre seu depoimento, alegando ter sido torturado.

Mizael pode ser indiciado formalmente por homicídio doloso triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Segundo o delegado, ele não será preso após o depoimento.

Histórico
Mizael e Evandro foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e, pelas informações do Ministério Público, deverão ser denunciados pelos mesmos crimes.

A advogada Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio. Ela foi vista pela última vez ao deixar a casa da avó, em Guarulhos (SP). O corpo de Mércia foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, cidade do interior de SP, em 11 de junho. O principal suspeito pela morte dela é o ex-namorado, Mizael Bispo de Souza.

Segundo a polícia, relatório das ligações dos celulares da advogada aponta que a última ligação recebida por ela no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23. Além disso, a polícia também afirma que o GPS (localizador via satélite) do carro de Mizael mostrou que ele passou pelo local onde Mércia foi vista pela última vez.

O ex-namorado dela nega qualquer envolvimento no caso e diz que passou a tarde do dia 23 de maio com uma garota de programa.

* Com informações da Agência Estado

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