Polícia apresenta nova prova e diz que Mizael mentiu em depoimento

Arthur Guimarães

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O delegado Antonio de Olim, que interrogou nesta terça-feira (20) o advogado e policial reformado Mizael Bispo de Souza, principal suspeito na morte de sua ex-namorada Mércia Nakashima, apresentou uma prova surpresa durante o depoimento realizado hoje no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), centro da capital paulista.

Segundo Olim, a polícia descobriu um celular que seria usado por Mizael, mas registrado em nome de uma terceira pessoa. A quebra do sigilo telefônico revelou que o advogado usava o aparelho para telefonar para o vigia Evandro Bezerra, suspeito de ter sido comparsa no crime.

Conforme o promotor Rodrigo Merli Antunes, que esteve no interrogatório, sempre que telefonava para Mércia, Mizael ligava para Evandro em seguida. "[Mizael] falou 16 vezes com a Mércia nesse dia [da morte], e ligava para o Evandro depois”. O representante do Ministério Público no caso já anunciou que irá pedir a prisão preventiva de ambos no início de agosto, quando deve apresentar denúncia pelo crime.

A polícia concluiu que o celular pertence a Mizael após terem sido constatadas ligações do aparelho para familiares dele. Depois do crime, os telefonemas cessaram. Segundo o delegado, Mizael assumiu possuir o chip em nome de outra pessoa.

Olim disse ainda que o interrogatório foi tranquilo, porém, Mizael teria ficado o tempo todo nervoso. “Interrogamos e fizemos perguntas e mais uma vez ele não soube responder. Mostrou que está mentindo e que temos provas para colocá-lo na cadeia”, afirmou.

Mizael chegou ao DHPP por volta das 11h sob gritos de “assassino e covarde”, prestou depoimento durante duas horas e deixou o local escoltado sem falar com a imprensa. Em seguida, seu advogado Samir Haddad Junior defendeu que o cliente respondeu a todas as perguntas da polícia e da Promotoria. “Ele estava tenso pelo próprio crime em si. Ele não vai ser um monge tibetano e não se abalar. Foi perguntado de maneira ríspida e respondeu de forma ríspida”, afirmou o defensor. “[O delegado] perguntou tudo e ele respondeu tudo.”

Mizael e vigia prestam depoimento

Apresentação
A convocação para o depoimento de hoje não foi formal. Segundo Haddad, não houve necessidade de intimação policial. "Um escrivão me ligou e pediu para a gente ir até lá. Vamos fazer isso, mais uma vez mostrando que o Mizael não se recusa a prestar informações", disse o advogado.

Ao chegar à sede do DHPP, Mizael estacionou seu veículo em um estacionamento próximo e atravessou a rua sorrindo das palavras de reprovação de cerca de 20 curiosos. “Estou tranquilo”, afirmou.

O promotor Antunes assumirá o caso ao final do inquérito. O representante do Ministério Público já anunciou que apresentará denúncia contra Mizael no início de agosto, juntamente com o vigia Evandro Bezerra da Silva, suspeito de ser cúmplice no crime.

Na quarta-feira passada (14), a Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva contra Mizael. Além disso, o TJ decidiu pela não manutenção da prisão temporária que havia sido decretada no último sábado (10) por um juiz de plantão. Ou seja, Mizael deixou de ser considerado foragido após quatro dias.

O pedido de prisão temporária do policial aposentado aconteceu depois da prisão do vigia Evandro Bezerra da Silva, detido em Sergipe e trazido para São Paulo. Ele afirmou às autoridades policiais que, no dia do homicídio, foi orientado a pegar o ex-namorado de Mércia em uma represa em Nazaré Paulista, onde o corpo dela foi encontrado.

Em seu depoimento, Silva disse ter visto Mizael com uma arma na mão na cena do crime e afirmou que ouviu o colega comemorar o assassinato, dizendo "já era, já era." Ontem, no entanto, ele apresentou uma nova versão sobre seu depoimento, alegando ter sido torturado.

Mizael pode ser indiciado formalmente por homicídio doloso triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Histórico
Mizael e Evandro foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e, pelas informações do Ministério Público, deverão ser denunciados pelos mesmos crimes.

A advogada Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio. Ela foi vista pela última vez ao deixar a casa da avó, em Guarulhos (SP). O corpo de Mércia foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, cidade do interior de SP, em 11 de junho. O principal suspeito pela morte dela é o ex-namorado, Mizael Bispo de Souza.

Segundo a polícia, relatório das ligações dos celulares da advogada aponta que a última ligação recebida por ela no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23. Além disso, a polícia também afirma que o GPS (localizador via satélite) do carro de Mizael mostrou que ele passou pelo local onde Mércia foi vista pela última vez.

O ex-namorado dela nega qualquer envolvimento no caso e diz que passou a tarde do dia 23 de maio com uma garota de programa.

* Com informações da Agência Estado

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