Em missa de sétimo dia, avó do garoto Wesley diz que só quer justiça

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Pai de aluno baleado critica governo durante enterro do menino

Foi realizada no início da noite desta sexta-feira (23) a missa de sétimo dia do garoto Wesley Rodrigues, 11, morto por uma bala perdida na sexta passada no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Rubens Gomes, em Costa Barros, zona norte do Rio de Janeiro. Muito emocionados, os pais do menino disseram que não tinham condições de falar com a imprensa.

A missa durou cerca de meia hora e foi celebrada na igreja de Santa Rita, no centro do Rio. Anita Maria Rodrigues, 56, avó materna de Wesley, disse que não guarda ódio pela morte de seu neto. “Quero só a Justiça. Porque a dor é muito grande”, disse. Anita conta que há 16 anos perdeu o filho, então com 24 anos, morto por bandidos em São Paulo após reagir a um assalto. “Até agora não teve sentença. Perdi um filho e agora um neto”, lamenta.

Presentes na cerimônia, parentes e amigos de Wesley usavam camisetas com uma foto do garoto e os seguintes dizeres: “Eu não morri. Eu adormeci. Se você pudesse ver e sentir, jamais choraria por mim. O que eu quero agora é paz entre todos, porque, sem paz, não posso ser feliz. Estarei sempre com vocês.”

"É uma rotina", diz diretora sobre troca de tiros perto de escolas no RJ; ao menos 150 estão em áreas de risco

Compareceram à missa Ricardo Henriques, secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, e Rivaldo Barbosa, subsecretário de inteligência, representando o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Ambos cumprimentaram o pai do garoto, mas saíram sem falar com a imprensa.

Nesta quinta-feira (22), o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, convocou uma reunião com 41 comandantes da PM no Rio a fim de “discutir os últimos lamentáveis eventos envolvendo a PM”, nas palavras do próprio coronel. A mais importante decisão após mais de 2h30 de reunião foi a de que, a partir de agora, todas operações de grande vulto, mobilizando mais de cem policiais, deverão ser previamente autorizadas pelo comandante-geral.

“Agora tem que tomar providência. Vai ficar matando assim? Chegar atirando, matando os bebezinhos dentro do colégio?”, contesta a avó de Wesley. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, 108 mil alunos estudam em 150 escolas municipais localizadas em áreas de risco.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos