Índios liberam todos os reféns no MT e negociam plano contra danos causados por hidrelétrica

Guilherme Balza*

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os cinco funcionários do consórcio Águas da Pedra que estavam reféns de um grupo de indígenas em Aripuanã (MT) --a cerca de 1.100 km a noroeste de Cuiabá-- foram liberados no final da tarde desta segunda-feira (26).

Os índios aceitaram liberar os reféns --três engenheiros e dois responsáveis pela obra-- após a chegada de representantes da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, do Ministério Público Federal (MPF) e da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Os índios reclamam que a usina, apesar de não ocupar reservas, está sendo construída na área onde há um cemitério indígena e também alegam que suas aldeias na região sofrem impactos por conta da construção da unidade.

As autoridades negociam com lideranças indígenas e representantes do consórcio um plano básico ambiental para reduzir os impactos da obra e garantir que os direitos dos povos sejam respeitados, segundo o diretor da Funai na região, Antônio Carlos Ferreira Aquino.

O canteiro de obras da usina de Dardanelos foi ocupado no fim de semana por cerca de 220 indígenas de nove etnias. Inicialmente, eles fizeram reféns 280 trabalhadores. Na noite de domingo, os manifestantes aceitaram libertar grande parte dos funcionários.

De acordo com Aquino, os cinco trabalhadores decidiram por "livre e espontânea" vontade permanecer no local com os indígenas para encontrar uma saída para a questão.

Segundo o diretor da Funai, a obra afetará diretamente cerca de 700 indígenas dos povos Cinta-Larga e Arara do Rio Branco. As outras sete etnias que participam da ocupação do canteiro de obras estão lá em solidariedade, afirmou Aquino.

O antropólogo Ivar Bussato, da ONG Operação Amazônia Nativa (Opan), diz que recentemente vários sítios arqueológicos foram descobertos na região, fato que despertou o interesse dos indígenas. "Os sítios são riquíssimos. Há uma sobreposição de camadas formadas em vários séculos cada uma. Quando os indígenas descobriram que os sítios eram de seus antepassados, se sensibilizaram", afirmou.

De acordo com Bussato, boa parte das urnas funerárias dos sítios foram retiradas e levadas para Cuiabá. Em nota, o consórcio negou que a usina está sendo construída sobre cemitérios indígenas.

A usina hidrelétrica de Dardanelos, que terá capacidade instalada de 216 megawatts, está sendo construída desde 2007 no rio Aripuanã por um consórcio formado pela Neoenergia, empresa brasileira controlada pela espanhola Iberdrola, e as estatais Chesf e Eletronorte, ambas controladas pela Eletrobras. A data estimada para início da operação da usina é janeiro de 2011.

*Com agências internacionais

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