Com alta de 845% em 2010, Alagoas vive pior surto de dengue da história

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Com 19.758 casos confirmados nas primeiras 28 semanas do ano, Alagoas vive o maior surto de dengue já registrado. Segundo boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (27), o número de casos notificados em 2010 registrou um crescimento de 845%, se comprado ao mesmo período do ano anterior.

Além do aumento no número de doentes, os casos graves e de mortes pela dengue também cresceram no mesmo período. Até agora, foram confirmados nove óbitos, com outros 13 em investigação. Ao todo, mais de 32 mil casos foram notificados no Estado. Vale registrar que no começo de junho deste ano, o Estado viveu uma grande calamidade causada pela cheia de rios que invadiram cidades do Interior.

Desde 1996, quando o Estado começou a registrar casos, nunca houve uma taxa de incidência da doença tão alta como em 2010. Segundo o Comitê de Combate à Dengue, a taxa atual chegou, em junho, a 650 para cada 100.000 habitantes. O maior índice registrado até então foi em 2008, de 570 para cada 100.000 pessoas.

O boletim aponta que todos os 102 municípios do Estado registram infestação predial e casos suspeitos da doença. Entres eles, 36 se encontram em situação epidêmica, enquanto outros 36 estão em alerta. A cidade com maior incidência da doença é Maceió, que notificou 8.345 casos até a última semana, quatro vezes mais que o índice registrado no mesmo período em 2009.

Segundo Cleide Moreira, diretora de Vigilância Epidemiológica da Sesau (Secretaria de Estado da Saúde), apesar do aumento no número casos em 2010, não há motivo para desespero, já que, desde junho, o Estado verifica uma tendência de queda semana a semana.

Moreira explica que, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, o pico da doença não acontece mais no verão, e sim nos meses de junho e julho. Ela ressaltou que diversos trabalhos preventivos estão sendo realizados pelo Estado, assim como capacitações de agentes sanitários dos municípios.

Circulação de vírus
Segundo o Comitê de Combate à Dengue de Alagoas, a circulação simultânea de três tipos de vírus é responsável direta pelo aumento no número casos graves. "A circulação confirmada do sorotipo 2 acarreta um aumento da frequência de formas graves da doença, gerando um aumento da demanda por serviços hospitalares, inclusive de terapia intensiva", diz relatório oficial do órgão divulgado no início do mês.

Para o Comitê, os elevados índices de infestação predial do mosquito Aedes Aegypti "determinam um padrão de transmissão hiperendêmica, o que põe em risco a vida dos alagoanos”. “A recirculação do sorotipo 1, por sua vez, possivelmente determinará a ocorrência de uma nova epidemia, com milhares de pacientes necessitando de assistência básica”, afirma o texto.

O Comitê ainda explicou que a taxa de letalidade que Organização Mundial de Saúde tem como parâmetro é 1%, mas o Estado tem índice três vezes maior. “Em Alagoas, essa taxa sempre foi superior a 3%. No que se refere à infestação por aedes aegypti, 73,53% dos municípios não mantiveram o vetor sob controle”, diz.

Superlotação de hospital
O aumento dos casos gerou superlotação e até mesmo tumultos no hospital Hélvio Auto, em Maceió, referência no tratamento da doença no Estado. Diante de centenas de casos suspeitos por dia, a direção chegou a fazer um apelo, em nota oficial, em junho, para que os pacientes com sintomas da doença procurassem os postos e unidade básicas de saúde, deixando o hospital para os casos graves.

Segundo o Comitê de Combate à Dengue, o hospital atendeu a 343 casos suspeitos em 2009, dos quais 46 necessitaram de internação. Em 2010, até o dia três de junho, foram atendidos 1.111 casos, dos quais 128 foram internos. "Chama a atenção que percentual significativo desses pacientes, encaminhados tanto por municípios do Interior quanto o da Capital, apresentava formas da doença que poderiam ser atendidas na Assistência Básica, com hidratação oral domiciliar", denunciou.

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