Polícia pede prisão preventiva de Mizael por morte de Mércia em SP

Do UOL Notícias

Em São Paulo

Mizael bate boca com delegado

A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito sobre o assassinato de Mércia Nakashima e pediu nesta terça-feira (27), após dois meses de investigação, a prisão preventiva de Mizael Bispo de Souza, ex-namorado da advogada e principal suspeito do crime. O documento foi encaminhado ao Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. A polícia também pediu a preventiva do vigia Evandro Bezerra, suspeito de ter sido comparsa no crime.

O pedido tem como base, entre outros argumentos, laudo do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo que concluiu que a causa da morte da advogada, desaparecida desde o dia 23 de maio e encontrada morta no dia 10 de junho em uma represa em Nazaré Paulista, na Grande São Paulo, foi afogamento. O laudo mostra que Mércia levou um tiro no braço esquerdo, que também atingiu a boca. Mas a causa da morte foi afogamento na represa.

As informações são importantes pois indicam que a advogada chegou com vida até a represa. Até o resultado, as autoridades não sabiam se ela poderia ter sido executada em outro local e levada já morta ao ponto em que o cadáver - e seu carro - foram encontrados.

Agora, a Justiça paulista irá analisar os pedidos de prisão e decidir se decreta a preventiva dos indiciados. O Ministério Público irá decidir se apresenta denúncia, o que tornaria Mizael e o vigia acusados oficialmente pelo homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Se a denúncia foi recebida pela Justiça, eles viram réus em processo penal.

Interrogatório-chave

O crime, segundo a polícia

No último dia 20, Olim interrogou o advogado e policial reformado Mizael Bispo de Souza. As autoridades apresentaram uma prova surpresa durante o depoimento realizado no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), centro da capital paulista.

Segundo o delegado, a polícia descobriu um celular que seria usado por Mizael, mas registrado em nome de uma terceira pessoa. A quebra do sigilo telefônico revelou que o advogado usava o aparelho para telefonar para o vigia Evandro Bezerra, suspeito de ter sido comparsa no crime.

Conforme o promotor Rodrigo Merli Antunes, que esteve no interrogatório, sempre que telefonava para Mércia, Mizael ligava para Evandro em seguida. "[Mizael] falou 16 vezes com a Mércia nesse dia [da morte], e ligava para o Evandro depois”. O representante do Ministério Público no caso já anunciou que irá pedir a prisão preventiva de ambos no início de agosto, quando deve apresentar denúncia pelo crime.

A polícia concluiu que o celular pertence a Mizael após terem sido constatadas ligações do aparelho para familiares dele. Depois do crime, os telefonemas cessaram. Segundo o delegado, Mizael assumiu possuir o chip em nome de outra pessoa.

Olim disse ainda que o interrogatório foi tranquilo, porém, Mizael teria ficado o tempo todo nervoso. “Interrogamos e fizemos perguntas e mais uma vez ele não soube responder. Mostrou que está mentindo e que temos provas para colocá-lo na cadeia”, afirmou.

Na quarta-feira (14), a Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva contra Mizael. Além disso, o TJ decidiu pela não manutenção da prisão temporária que havia sido decretada no último sábado (10) por um juiz de plantão. Ou seja, Mizael deixou de ser considerado foragido após quatro dias.

 

O pedido de prisão temporária do policial aposentado aconteceu depois da prisão do vigia Evandro Bezerra da Silva, detido em Sergipe e trazido para São Paulo. Ele afirmou às autoridades policiais que, no dia do homicídio, foi orientado a pegar o ex-namorado de Mércia em uma represa em Nazaré Paulista, onde o corpo dela foi encontrado.

Em seu depoimento, Silva disse ter visto Mizael com uma arma na mão na cena do crime e afirmou que ouviu o colega comemorar o assassinato, dizendo "já era, já era." Ontem, no entanto, ele apresentou uma nova versão sobre seu depoimento, alegando ter sido torturado.

A advogada Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio. Ela foi vista pela última vez ao deixar a casa da avó, em Guarulhos (SP). O corpo de Mércia foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista, cidade do interior de SP, em 11 de junho. O principal suspeito pela morte dela é o ex-namorado, Mizael Bispo de Souza.

Segundo a polícia, relatório das ligações dos celulares da advogada aponta que a última ligação recebida por ela no dia do seu desaparecimento foi de Mizael, às 14h30 do dia 23. Além disso, a polícia também afirma que o GPS (localizador via satélite) do carro de Mizael mostrou que ele passou pelo local onde Mércia foi vista pela última vez.

O ex-namorado dela nega qualquer envolvimento no caso e diz que passou a tarde do dia 23 de maio com uma garota de programa.

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